POR OUTRO LADO...

segunda-feira, 17 de março de 2008

LIÇÕES DE ECONOMIA. CAPÍTULO DE HOJE: BOLSA DE VALORES

Mais um dia de fortes emoções nas bolsas de valores de todo o mundo, motivada mais uma vez pela crise do crédito imobiliário norteamericano de alto risco, o tal do subprime. Segundo a Folha de São Paulo, a Bovespa registrava até as 16h:10 uma queda superior a 3%.

Hora oportuna para dar início a uma série de fábulas inéditas para explicar o funcionamento de algumas das mais importantes instituições do nosso mundo globalizado. A lição de hoje, que contou com a valiosa colaboração do leitor Denis Carvalho, é exatamente sobre isso, a Bolsa de Valores.

Como funciona a Bolsa

Uma vez, num vilarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por US$10,00 cada. Os aldeões sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos a US$10,00 e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça.

Aí o homem anunciou que agora pagaria US$20,00 por cada macaco e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça.

Logo os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para US$25,00 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.

O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por US$50,00! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos macacos.

Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões: "Olhem todos estes macacos na jaula que o homem comprou. Eu posso vender por US$35,00 a vocês e quando o homem retornar da cidade, vocês podem vender-lhe por US$50,00 cada.

Os aldeões, espertos, pegaram todas as suas economias e compraram todos os macacos do assistente.

Eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente macacos por todos os lados.

sexta-feira, 14 de março de 2008

AI QUE SAUDADE...

Não carece acreditar no que vou relatar rapidamente. Basta clicar aqui e ler com seus próprios olhos.

No rastro de imagens, notícias e avaliações sobre a passagem da Secretária de Estado norteamericana Condoleezza Rice pelo Brasil, a Folha de São Paulo -uma espécie de mega-assessoria de imprensa do governador de São Paulo, José Serra- noticiou em sua versão online hoje de manhã que a dita cuja ficou plantada (o grifo é meu) durante quase (esse também é meu) 15 minutos na ante-sala do Presidente Lula, que atendia o Ministro José Mucio e o Senador Romeu Tuma.

A notícia, que teve chamada na home page da Folha (logo depois suprimida), só pode ter sido autorizada por algum editor que decidiu boicotar a própria Folha. Não há outra explicação para uma sandice dessa natureza.

Primeiro, pela completa irrelevância jornalística do fato; segundo, por ridículo que soa a pretensão subliminar de apontar o absurdo que é o mandatário da 8ª maior economia do mundo fazer Miss Condoleezza esperar para ser atendida.

A Folha ainda não entendeu que a subserviência da chancelaria brasileira aos interesses norteamericanos foi sepultada com o fim da era FHC. Nos anos Lula, o Brasil dialoga soberanamente com qualquer nação do planeta e sabe defender seus interesses com equilíbrio e bom senso. Inclusive com seu principal parceiro comercial, os Estados Unidos da América.

Sem sabujice ou arrogância, atributos pendulares da grande (?) imprensa brasileira, que não se mostrou tão perplexa assim quando FHC vendeu a Companhia Vale do Rio Doce por módicos US$3 bilhões e quase fez o mesmo com a Petrobrás. A mesma Vale que está a horas de tornar-se a maior mineradora do mundo com a aquisição da anglo-suíca Xtrata por mais de US$90 bilhões.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A MÁGICA FÓRMULA DA ORKESTRA RUMPILEZZ


Volta e meia a musica erudita, sinfônica ou não, flerta com a popularíssima percussão. E aí é um tal de orquestra sinfônica tocando com bateria de escola de samba que deus me livre, todo mundo no palco e salve-se quem puder. Nunca se conseguiu fundir numa só sonoridade atabaques com um naipe de sopros, por exemplo.

Quer dizer, não se conseguia, até que a Orkestra Rumpilezz, regida por Letieres Leite e formada por magníficos 15 sopros e 5 percussionistas, resolvesse espetacularmente a questão aqui, na velha cidade da Bahia.

O texto noticioso, anunciando a apresentação do grupo ontem à noite, foi suficientemente instigante para que eu resolvesse me abalar até a Praça Teresa Batista, coração do velho Pelourinho. A informação, irresistivelmente provocadora, dava conta que a Rumpilezz conseguira elaborar sonoridades sofisticadíssimas a partir dos viscerais toques de candomblé e do samba.

Na condição de eterno portador do vírus da esperança, de compulsivo investigador de novidades estéticas, fui ver os caras se apresentarem, trazendo como convidado especial um velho e talentoso baiano chamado Cal do Pandeiro.

Daí por diante, minha cara e minha nobre família baiana, informo que esse texto aqui vai ficar enjoado de verdade pelo abuso da adjetivação, vou logo avisando. Não sou crítico musical, não conheço picas de teoria da música e mal sei segurar um reco-reco. Mas que aqueles caras encontraram uma formulação musical devastadoramente inovadora, isso eu posso garantir que encontraram.

Penso ter entendido o que é ter orgasmos múltiplos, que me fazia até então urrar de dor de cotovelo diante desse segregador privilégio feminino. Tive uma porrada deles ontem à noite.

Letieres e sua rapaziada conseguiram dar um sofisticadíssimo trato jazzístico aos arrebatadores toques de candomblé e do samba-de-roda. Botaram pra conversar animadamente tuba e atabaques, saxofones e surdo, sem que o ouvinte ficasse com a sensação de que o sopro ia prum lado e batuque prum outro. Um escândalo de inovação e rara beleza.

Chique, emocionante, inovador, revolucionário. A Rumpilezz está na estrada a exatos dois anos -só conheci ontem, sniff- e honra as melhores tradições culturais da velha Bahia. Expandiu com notável vigor e qualidade as fronteiras da cena percussiva.

Estarão todas as terças-feiras de março apresentando-se gratuitamente na mesma praça do Pelô. Se você anda de saco cheio dos pracatás (que eu adoro) e das filigranas do jazz (que eu amo), aceite meu conselho: vá ver de perto o que esses incríveis músicos baianos estão fazendo ao misturar as duas coisas. Antes que passem a ser chamados de gênios e você tenha que inventar uma mentirinha praqueles seus amigos do sudeste do Brasil, dizendo que já conhecia o Rumpilezz e tinha certeza de que eles iam bombar.

Aproveitando, dê também um rolê no Pelô. A Secretária da Cultura do Governo Jaques Wagner, de tanto levar porrada das viúvas do carlismo tá doidinha pra fazer gols de placa naquele lugar e a programação tá começando a ficar realmente legal. Vi muita coisa boa rolando por lá ontem, com direito a policiamento e iluminação. Pode ir que o Pelô tá voltando a ser um lugar rico em cultura e entretenimento.

Deixo aí embaixo um aperitivo da Orkestra Rumpilezz pra quem ainda não conhece, flws? pra quem conhece ou ouviu falar e mora em Salvador, é só aparecer na próxima terça 18 pra vê-los com Carlinhos Brown, o convidado da noite.

Ah! Run, Runpi e Lê são os nomes sagrados dos atabaques do candomblé. E Orquestra em grego é Orkestra. Informou o plantão do Blog do Galinho.

ATUALIZAÇÃO: Pra completar a informação acima, Mestre Letieres escreveu-me para assinalar que os dois Z's de RumpileZZ vêm do jaZZ.

terça-feira, 11 de março de 2008

NOVAS RECEITAS PARA VIVER UM GRANDE AMOR


Pois digo que para viver um grande amor há que se matar um grande amor, que deixá-lo agonizar aos estertores e impiedosamente recusar-lhe a salvação.

Deixá-lo à míngua, faminto e desesperado, ávido por um olhar que o redima mais uma vez de sua própria incúria. Suprimir-lhe a dimensão atribuída pelo sonho de perpetuá-lo, alheio aos sinais da morte.

Para viver um grande amor é fundamental enamorar-se de si mesmo, fazer-se respeitado diante de seu próprio espelho. Dizer não e seguir adiante, respirando vigorosamente o ar fresco das manhãs e das noites.

E suportar com dignidade e determinaração as dores da inevitável abstinência, afogando-a com beijos e colo de quem se dispuser a ser-lhe delicadezas.

Porque o amor, meu camarada, não tem tamanho, não é grande nem pequeno. Ele apenas é e isso não é pouco, acredite. Pode estar agora mesmo a sua espreita, esperando pacientemente a hora em que o véu dos seus sonhos se esgarçe por completo e ele possa fazer nascer de novo o sorriso em seus lábios magoados.

Para viver um grande amor é preciso acima de tudo esvaziar o peito da ilusão de um grande amor. E aguardar serenamente que a amada mulher revele-se -avassaladoramente ou aos poucos, tanto faz- quando for a hora de viver um grande, maduro e feliz amor.

O amor, meu irmão, rima com a dor apenas por uma infeliz coincidência fonética. Não merece passar disso.

quinta-feira, 6 de março de 2008

MERGULHOS E EMERSÕES DE VÂNIA VASCONCELOS

Recebi na semana passada e li de sopapo uma pequena preciosidade literária em forma de crônicas intitulada "Mergulhos", editado pela Book Editores e de autoria de Vânia Vasconcelos.

Impossível dizer que fui tomado de surpresa diante da delicadeza daqueles textos. Conheço Vânia Vasconcelos há muito tempo e fiz parte da paisagem que formou seu olhar suave e atento. Tenho guardado na lembrança adolescente textos impregnados de lirismo, tecidos delicados de poesia tão frágil quanto vigorosa, próprio do indevassável universo das mulheres.

Nenca Vasconcelos é uma daquelas pessoas que o tempo não retira o brilho. Ao contrário, os anos a tornaram melhor, mais luminosa. Não é tarefa difícil descortinar tempo e distância para flagrar seu sorriso de eterna inquietude. Tá lá, inteirinho, nas páginas de sua obra.

Vânia é teimosa. Insiste na intervenção lírica no áspero mundo em que vivemos. Faz do discurso idílico e tomado de arrebatamento cívico uma inegociável base de relacionamento humano e literário. Revela, a cada texto, uma reiteração de fé nos homens que beira a inocência aos olhos de quem fez indiferente a visão de crianças pedindo dinheiro nos faróis das capitais brasileiras.

Mas nada há de inocência da doce tessitura de suas abordagens. Nenca fez uma escolha e a fez há muitos anos: acredita no poder da prosa e da poesia, do verbo escrito, declamado ou cantado. Alinha-se entre os revolucionários da palavra literária num tempo em que ser poeta é sinônimo de incapacidade de viver toda a densidade da política e das guerras.

Que bom, Nenca, revê-la cronista e militante da poesia após tantos anos. Que bom sabê-la capaz de mergulhar ávida e emergir a plenos e talentosos pulmões, pronta para salvar-nos dos muitos afogamentos do cotidiano.

Seus textos encheram-me de orgulho e saudades. Fizeram-me instantaneamente lembrar de um poema de Drummond que recentemente enviei para o meu filho mais velho, Gabriel, à guisa das angústias por ele reveladas diante da criação literária que faz-lhe ronda a algum tempo. O poema, uma obra de arte por muitos conhecida, chama-se Procura da Poesia e narra o encontro do artesão com o reino das palavras. Em um de seus trechos, ele fala assim:

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Vânia as leva consigo, faz do olhar livre e profundamente amoroso o veículo de seus escritos, seus belos escritos.

Melhor para os cearenses, que a tomaram da Bahia há quase treze anos sem a menor pretensão de devolver-nos.

Ainda bem que a boa literatura desconhece fronteiras geopolíticas. E ri, em compaixão, dos que vêm castelos de sonhos onde erguem-se verdadeiras fortalezas de amor ao próximo, esculpidas delicadamente por almas suaves como a de Vânia Vasconcelos.

quarta-feira, 5 de março de 2008

ACORDA, TORCIDA TRICOLOR: 2008 COMEÇOU!


O Esporte Clube Bahia, empatou (2X2) a pouco com o poderoso time do Icasa, glória do futebol brasileiro e cearense. Foi o segundo duelo desses titãs da pelota pela primeira fase da Copa do Brasil. No primeiro, os artistas da bola de Juazeiro do Norte venceram os incolores baianos por 3X2, numa partida de rara qualidade e que fez lembrar melhores embates de Santos e Botafogo nos anos 60, Vasco e Flamengo nos 70, São Paulo e Palmeiras nos 80, Barcelona e Real Madrid nessa década.

Apesar da técnica apurada desse time de sonhos que o EC Bahia montou para a temporada 2008, foi impossível superar a retranca adversária, o empenho do Padre Cícero e a inspiração do goleiro Douglas. A discreta colaboração do árbitro, expulsando um defensor da equipe cearense logo aos 3 minutos do segundo tempo também não foi suficiente para credenciar o campeão da Taça Brasil de 1959 e do Campeonato Brasileiro de 1988 para as próximas fases da competição.


***


O vizinho aqui do lado, fanático torcedor do Vitória, enfiou o pescoço pra fora da janela após o fim dessa partida pra berrar "Bahêa, time de puta!". Fiquei aborrecido com o gesto do cara.

Pôxa, "Time de Puta" é forte demais, mesmo no ambiente do futebol, em que os palavrões costumam veicular os sentimentos mais insanos das massas apaixonadas por seus clubes.

Chamar um grupo brilhante de profissionais do futebol como esse do Bahêa-Sua-Porra, que apenas teve uma noite de má sorte, de "Time de Puta" é reduzir ao insulto uma manifestação que poderia usar termos se não mais mais elegantes, ao menos mais civilizados, como por exemplo ""time de merda"ou "timinho de bosta". Mas, convenhamos, "Time de Puta" não vai bem para classificar homens que defendem as cores de seu clube e que são, em muitos casos, abnegados chefes de família.

Essa sintaxe, "Time de Puta", aliás, é típica da cultura futebolística dos baianos. Reitero não gostar dela nem um pouquinho. Aliás, detesto o embate de idéias marcado pela desqualificação verbal.

O fato do Bahêa-Sua-Porra sair da Copa do Brasil logo na primeira fase, de iludir sua aguerrida torcida -eternamente apaixonada pelas glórias de décadas passadas- de que levantará a taça de campeão estadual e que vai subir para a Série A do Brasileirão não o faz merecedor de um insulto como esse, "Time de Puta".

Vou dormir aborrecido por conta da grosseria desse meu mal educado vizinho. Imagine, "Time de Puta"! que horror...

Como horrorosa é essa falta de limite do paparazzi que invadiu a concentração do Bahêa-Sua-Porra, a régio soldo do blog Sarapatel, na noite de ontem. Só publico aqui a foto do sujeito para deixar clara minha insatisfação com a imprensa brasileira, que adotou o estilo Notícias Populares em todas as suas editorias, desde a posse do Presidente Lula.

NOSSOS CÉLEBRES LEITORES / PARTE 6

a comic strip!