POR OUTRO LADO...

sábado, 31 de maio de 2008

SALVADOR, A CIDADE DA BAHIA





Você conhece Nilton Souza? não?

Também não mas tô sabendo agora que ele é um dos craques da fotografia baiana, autor de cliques belíssimos como os que trago aqui hoje. Salvador registrada por lentes que a amam e a conhecem. Show.

Tem muito no site dele, enfie o dedo no mouse AQUI e faça um gostoso passeio nas imagens aéreas desse talentoso fotógrafo baiano. A península itapagipana, que eu adoro, é artista principal dos cliques apresentados aqui (clique em cima delas pra ampliar, cabeção), além da panorâmica da cidade tendo o Farol da Barra como eixo da composição. Mas tem muito mais, não vacile, vai lá!

Se puder volto domingo 01 pra comemorar aqui mais um triunfo rubro-negro, dessa vez diante do Ipatinga, de Minas. Tão boa essa vida de elite, menino!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A REDE SARAH E O SERVIÇO PÚBLICO QUE MERECEMOS


Quem andou por esse puleiro eletrônico nos último dias acompanhou, certamente comovido, o drama do blogueiro que vos escreve diante de uma bursite trocanteriana (ou trocandiana) que me fez, digamos, parceiro do Gustavo Kuerten no ramo das dores esportivas.

Respondendo às centenas de milhares de mensagens recebidas, informo que a inflamação cedeu quase que por completo e em mais ou menos dez dias voltarei a correr. Lamentavelmente, Pequim agora só a passeio, é a vida, fazer o quê...

Mas não foi pra isso que voltei a esse assunto, que divide hoje as atenções da imprensa com mais um investment grade atribuído à gestão econômica brasileira.

Vim falar foi da unidade de Salvador da Rede Sarah, que me atendeu hoje de manhã como eu se estivesse em Estocolmo.

Consulta agendada por telefone, com hora marcada (e cumprida) para uma grande quantidade de pessoas, excelentes instalações, profissionais de primeiríssima. Um sonho de serviço público, fiquei bobo de tanto orgulho e de tanto me perguntar quanto tempo será usado para que os serviços prestados aos brasileiros na saúde, na educação, segurança, transportes etc tenham esse padrão.

A esclarecedora consulta com o ortopedista Elvis Campos foi imediatamente sequenciada por uma entrevista com a fisioterapeuta Roberta Macedo, que também imediatamente -tudo parece acontecer imediatamente naquele lugar, sô!- me encaminhou para o agendamento das 6 sessões de fiosioterapia indicadas. A primeira será amanhã. Pode?

Pode, pode sim. E pode porque no Sarah há um exemplo de boa gestão dos recursos públicos -100% governo federal-e um óbvio compromisso de qualidade técnica e bom atendimento.

Volta e meia vemos histórias na imprensa de ótimos exemplos de serviços públicos de primeiríssima em escolas, creches, defensorias públicas, Procons e outras repartições.


Vamos combinar né, ninguém em sã consciência, reclamaria da escandinava carga tributária brasileira se os serviços não fossem haitianos. Pergunto de novo: quanto tempo a Brasil ainda gastará para tornar cases como o Sarah em paradigmas, quando a universalização não mais for o desafio a ser vencido mas a qualidade?

Aplaudo o Sarah, como no passado aplaudíamos as escolas públicas, festejando modelos como o da Escola Parque de Salvador.

As eleições de 2010 talvez tragam para o centro da agenda nacional essa discussão. Espero que sim, como espero também que o povo desse país não seja mais uma vez engabelado por discursos "moderninhos", repletos de promessas de boa gestão.

E que Lula inscreva seu nome na história do Brasil também por esse motivo, o de ter estruturado o grande salto de qualidade no serviço público brasileiro.

Como diz o filósofo baiano Franciel Diamantino, oremos.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

APOLOGIA, ANALOGIA, ADVERTÊNCIA


Vi ontem pela Record News a posse de Carlos Minc como ministro do Meio Ambiente. Me diverti à beça com o Lula falando sobre a ministra que se foi, o novo que chegava e a política ambiental de seu governo, que ele reiterou não mudar, a despeito de quem seja o titular da pasta.

Pra quem curte rir das limitações léxicas do companheiro-presidente em suas falas de improviso, foi servido um prato saborosíssimo por ele quando anunciou que gostaria de fazer uma "apologia"da transição Marina-Minc com a Copa de 62, quando Pelé, contundido no 2º jogo, foi substituído por Amarildo e ainda assim o Brasil foi bicampeão mundial.

Analogia virou apologia mas aviso não virou nada além de aviso. No início de sua fala, provocou risos na platéia quando disse que Minc falou mais em uma semana que sua antecessora em 5 anos. E que no governo dele, em que os grandes temas nacionais são tratados pelo ministério de forma colegiada (ou transversalmente, como falava Marina Silva), não existe política de ministro mas política de governo ou de estado. Tudo no melhor estilo Lula, em que para bons entendedores meia "apologia" basta.

Enquadrado publicamente, pois, o midiático Minc foi. E muita sorte enfaticamente desejada pelo presidente, também.

Aguardemos.


segunda-feira, 26 de maio de 2008


O Vitória sinalizou, para quem viu o jogo contra o Figueirense sábado passado, que fará sua melhor campanha desde 1993. O que me chama a atenção nesse time, desde a arrancada para o bicampeonato baiano, recentemente:

  • Mancini sabe motivar seus atletas em corridas de curta distância. Se souber fazer o mesmo num torneio longo como o Campeonato Brasileiro, levará o Vitória para a Libertadores de 2009.
  • O time provou ter um banco de qualidade, fator fundamental numa competição como o Brasileirão.
  • Habemos goleirum, finalmente.
  • A chegada de Leandro Domingues vai incrementar em muito o poderio ofensivo desse time. Oxalá chegue logo um zagueiro de primeira grandeza para estabilizar de vez aquela defesa. Ouvi falar no retorno de Adailton, o que seria um sonho.
  • O menino Marquinhos será o nome do Vitória em 2008. Ágil, rápido, inteligente, decisivo, esse moleque vai dar muito o que falar, principalmente quando ganhar musculatura.
  • Há no Vitória de 2008 uma conjunção de profissionais que querem provar qualidade, desde o técnico aos atacantes. Gente que está com a faca nos dentes para mostrar que valem muito, como Rodrigão, Ramon, Leandro Domingues, Viáfara, Carlos Alberto, Marquinhos. Some-se ao ressentimento de Wagner Mancini com a dispensa pelo Grêmio e temos um grupo que está louco pra sair dando porrada em quem vier pela frente.
  • Não há um único time de "Galáticos" no futebol brasileiro, tá tudinho no mesmo patamar. A diferença virá da garra e da regularidade, é daí que nascerá o campeão de 2008.
  • No dia em que o planejamento ambicioso e bem estruturado virar lei na sede do Vitória, os títulos nacionais e internacionais que nos faltam serão realidade.
  • Enquanto isso, aquele timezinho de merda, quer dizer, desculpe, o ECBahia, vai dando sua gloriosa arrancada rumo à Série C de 2009. Mas foi campeão em 1959. Ah, tá...





Por falar no nobre esporte bretão, Adriano de volta à Seleção é motivo de festa. Raçudo, forte como um touro, cabeceia bem, chuta bem. É o Serginho Chulapa desses tempos, quando parece extinta a safra de centroavantes altamente técnicos que tivemos nas últimas décadas, como Ronaldo, Romário, Careca, Reinaldo e Roberto Dinamite. Minha esperança era o Nilmar mas as contusões recorrentes do garoto estão enterrando minhas expectativas. Pena.






Consulta amanhã no muito bem falado Hospital Sarah, de Salvador. O atendimento já mostrou-se eficaz, tive minha solicitação de consulta, feita ao telefone, atendida em 8 dias. Amanhã conto como foi , quando voltar de lá. Faço qualquer coisa pra que essa inflamação no quadril vá embora de vez e me permita voltar a correr. Quer dizer, qualquer coisa não: votar no Imbassahy, nem fodendo.A deficiência que tenho me levará para os bons ortopedistas e fisioterapeutas do Sarah e não pra algum hospital psiquiátrico.





Recebi a bem-vinda visita, sexta passada, da Chris Fausto aqui nas altitudes do Santo Antônio. Beijos pra você e pros seus botões, Chris.






Daria tudo pra ver os críticos do governo Lula à frente da máquina federal por um mês. Tirando os servidores do neoliberalismo tucano, muitos deles talvez abandonassem o bordão "hay gobierno, soy contra" e entendessem como é complexa a luta pelas transformações estruturais que o Brasil necessita, ao se depararem com um congresso corrupto, elitista e indiferente ao desenvolvimento econômico-cultural dessa nação. Nada, infelizmente, acontece pela exclusiva vontade do primeiro mandatário do país e operar mudanças exige estômago forte para negociar com a hienas, inclusive as que habitam o Judiciário e outras corporações. Mas vai, está indo, só não vê quem não quer.






Você leu a entrevista do presidente do Banco do Nordeste [ATUALIZAÇÃO: ooooops! foi o Paulo Fontana, superintendente da Sudene], ontem no jornal A Tarde? resumo do que falou o cara: há recursos disponíveis para o investimento na Bahia, faltam é projetos.

Enquanto a Bahia ostentar um dos os piores índices sociais da Federação e uma infraestrutura tão precária como essa, nada acontecerá. Seguiremos na rabeira da história, orgulhosos da tal baianidade nagô e usando preciosas energias para, por exemplo, responder a um professor universitário que um dia acordou, abriu a janela e disse pra si mesmo que ia mandar todo mundo tomar no meio do cu de suas bundas. Caguei pra ele, já cansei de falar. Por conta disso me recuso a publicar aqui os versos da tal "Vingança do Berimbau" que recebo diariamente de amigos e leitores, por e-mail. E tenho dito.






Quando é que a imprensa brasileira vai deixar de chamar aeronave de aparelho?







Rapaz velho solteiro é bicho que sofre.





sexta-feira, 23 de maio de 2008

AUMENTA QUE ISSO AÍ É VELHAS VIRGENS

Foi Gabriel Galo, meu filho mais velho, quem me falou desses caras pela primeira vez, coisa de uns 4 anos atrás.

Acho que o espírito de Corpus Christi me tomou de compaixão e elevação espiritual para trazê-los à lembrança hoje, deve ser isso.

O Velhas Virgens segue na estrada cometendo rock e blues de altíssima qualidade, embalando textos, digamos assim, irreverentes.


Machistas, sacanas, escrotos. Falem o que quiser mas não tem nada no underground cultural brasileiro melhor que o Velhas Virgens, pode acreditar.

Não conhece?! tá, tá desculpado, com uma condição: dê um play nesses dois vídeos aí debaixo e assista os clássicos "Abre Essas Pernas" e "Buceta". E deleite-se com as letras requintadas, delicadas mesmo pode-se dizer, dessa rapaziada.






quarta-feira, 21 de maio de 2008

JOSIAS PIRES RESGATA CUÍCA DE SANTO AMARO


Está sendo produzido na Bahia um importante longa-metragem, que deverá fazer sucesso por pelo menos dois bons motivos, quando ganhar as telonas de todo o Brasil.

Primeiro porque trata-se de um documentário roteirizado e dirigido por Josias Pires, que notabilizou-se há alguns anos dirigindo a série Bahia Singular e Plural, excelente registro audiovisual da cultura popular da Bahia produzido pela TV Educativa. Uma preciosidade de pesquisa e boa técnica cinematográfica.

O segundo motivo é o tema da obra, o cordelista Cuíca de Santo Amaro. Quem conheceu Salvador nas décadas de 40 e 50 certamente viu Cuíca vestido "a caráter", de cartola e megafone, propagandeando seus livretos na parte baixa do Elevador Lacerda, o que o teria feito um poeta popular que não se destacaria entre tantos outros que havia na época se a "pauta" de sua abundante produção não passasse sempre pelo apreço à notícia trepidante.

Cuíca fez do seu ofício uma grande veículo de comunicação popular. Os escândalos comerciais, sexuais, políticos eram temas recorrentes de sua obra. Numa Bahia de poucas letras e onde tudo o que acontecia mais dia menos dia caia "na boca do povo", faturava com a venda dos livrinhos e do silêncio vendido aos cornos, aos corruptos, a todos que protagonizavam escândalos e pagavam bem para que tudo continuasse na moita.

Do ponto de vista comercial não fez nada de diferente do que era e continua sendo feito pela imprensa, que desde os tempos de Assis Chateubriand vende opiniões em "defesa do povo" e extorque políticos e empresários.

O que chama a atenção no caso de Cuíca eram os resultados alcançados dispondo de recursos tão escassos quanto os que ele tinha. Um prodígio da comunicação, não há dúvidas.

Ficou curioso pra saber um pouco mais sobre essa história? então tá, clique AQUI e faça o download da entrevista concedida recentemente por Josias ao empresário-radialista e ex-prefeito de Salvador Mario Kertsz, na Rádio Metrópole. Papo saboroso e uma lição de história da comunicação e da Bahia. Imperdível.

É isso. Fui.

PS.: Uma correção. A direção e o roteiro de Cuíca de Santo Amaro são assinados por Josias Pires e por Joel de Almeida. Não sabia, comi mosca, perdão Joel.

terça-feira, 20 de maio de 2008

AH, ESSAS MOÇAS...


"Merda de inflamação do caralho", pensava eu arrastando-me ontem da casa de Volney à casa de minha mãe, 60 metros com gostinho de maratona para quem tem um quadril em litígio com o fêmur, quando vi a rua Direita de Santo Antônio iluminar-se instantaneamente para que aquela morena passasse, em direção do velho Largo.

Picolé à boca, vestido predominantemente branco balançando por sobre um corpo exuberante e reluzente, que dançava ao ritmo dos largos quadris, extensão inversa de uma improvável cintura fina e seios na exata medida da palma de uma mão, da palma da minha mão.

Sua aproximação permitia observar o fino acabamento dos pés, mãos e tornozelos. Sabia das coisas aquele Carybé, quando sublinhava gostosamento as extremidades delas.

Olhos doces, traços delicadamente esplêndidos à bordo de um par de sandálias baixinhas, a caminhar gostosamente em minha direção. Tudo em sua volta era reverência e contemplação.

Senti o perfume de seu pescoço quando finalmente cruzou comigo, no exato instante em que comprimia aquels lábios traçados por Di Cavalcanti no último pedaço do picolé.

Voltei o corpo para apreciar o grand finale, a bunda daquela mulata, que já mostrara-se larga ao vir e agora proeminentemente redonda ao ir.

Gostosa, gostosa, gostosa...


Bem antes que a visão não mais conseguisse me trazer toda aquela lindeza, fez-se noite em meu viver. Graciosamente, a moça descartou palito e embalagem ali mesmo, na franja da rua.

E seguiu, linda e indiferente ao meu desencanto.

Merda de inflamação do caralho.

sábado, 17 de maio de 2008

Depois da última corrida, no Dique do Tororó, quinta-feira passada, a dor que tinha me deixado de molho por quase dez dias mostrou sua cara imunda. Atende pelo nome de bursite trocanteriana e dói bagarai quando o freguês faz qualquer movimento de rotação do quadril ou abdução da coxa.

Foi exatamente essa a lesão que afastou Gustavo Kuerten das quadras. Ou seja, além da
fama, da fortuna e do assédio diuturno de belíssimas mulheres, temos, eu e o Guga, uma lesão em comum. E de minha parte um respeito enorme por esse atleta, que jogou durante muito tempo sentindo as dores que sinto agora. Vai ser macho assim na puta que o pariu.

De volta pro molho, dessa vez embalado pelos poderosos comprimidos de Prexige, anti-inflamatório de última geração capaz de curar até os hematomas que o Nardoni vai ganhar no xilindró.

Só agora entendo o que a galera da Academia Activa, de São Paulo, falava sobre a formação do hábito de correr. Demora quase dois anos e até que músculos, tendões e bursas se acostumem de vez com o reggae, vão te encher o saco -diziam eles.

Tô no limite do prazo e já sofri com os tendões, com a planta dos pés, com a tal da canelite. Tudo estoicamente superado. Agora é a porra dessa bursite, no encontro do fêmur com o quadril. Tremo de pensar que até hoje a coluna e os joelhos não reclamaram atenções especiais.

Tudo em nome do barato das endorfinas, da glória do desporto nacional e de uma teimosia que insiste em me aproximar da insanidade, faz é tempo.

Que se foda, a cabecinha já passou há tempos, agora eu quero até o talo.



Responda rápido, se puder: o
Carlos Minc mostra-se tão boçal assim porque não quer ser ministro em Brasília -prefere ficar secretário no Rio- ou porque é babaca mesmo?

Seja qual for o motivo, uma aposta: não chegará a assumir o Ministério do Meio Ambiente. Informou o plantão oracular do Blog do Galinho.

sexta-feira, 16 de maio de 2008


Garoto-propaganda escolhido para o caso de uma fusão entre a Toyota e a Michelin. Contribuição do leitor Denis Carvalho.


Morreu nessa madrugada Dinha do Acarajé, uma das muitas guerreiras baianas que explicou em vida porquê essa cidade é de Oxum.



Em fins de 2006, como acontece todo o ano, a imprensa brasileira divulgou uma porrada de profecias sobre o PIB de 2007. Nenhuma delas arriscava um número superior as 3,5%, exceto Delfim Neto, que mandou um 4,5%. Deu 5,3%.


No final de 2007, ninguém falou de nada além de 4,5% para 2008, menos o velho Delfim, que mandou um 6%, com viés de alta. Arrisca errar de novo. Os números da indústria e do campo no primeiro trimestre apontam para um PIB que pode raspar nos 7%, para o desespero da imprensa e da oposição ao metalúrgico iletrado.

Números dessa magnitude fortalecem a política cambial e monetária do Banco Central, ou seja, juros básicos estratosféricos ( os maiores do mundo) e câmbio como ferramenta de controle da inflação. O argumento de Meirelles & Cia é que a defesa intransigente da meta de inflação não obstrui o crescimento e os números provam isso.

A questão, apontam muitos, é o custo da dívida pública derivado dessa escolha. Algo superior a RS200 bi/ano de juros pagos aos rentistas do mundo inteiro. Por outro lado, o real supervalorizado pelo fluxo de dólares que entram diariamente no Brasil -e virá muito mais, agora com o selo investment grade- está fazendo estragos fortes na balança comercial, que já sinaliza deficit para 2009, o que fez o governo divulgar uma espécie de PAC da exportação semana passada.

A questão que incomoda nesse debate, em que todos brandem argumentos consistentes e verossímeis, é a falta de informação do governo. A pergunta que nunca é respondida é: pra que diabos deve-se sustentar juros tão elevados assim? se a Selic estivesse em 8 ou 9% aconteceria o quê de tão desastroso?



É de dar nos nervos a falta de uma tragédia nova para tirar da pauta o assunto Isabella Nardoni. Qualquer coisa, sei lá, outro assassinato monstruoso, queda de avião, incêndio com mais de 200 mortos. Mas pelo amor de deus, senhores editores, cheeeeeeegaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!



Marta Suplicy e Luiza Erundina é uma chapa imbatível em Sampa. O diabo é acertar o preço com os executivos do PCdoB, do PDT e do próprio PSB. Tem gente pedindo alto demais e atrasando o desfecho do "debate programático".



Fui correr ontem à noite no bacanésimo Dique do Tororó. Seus 2,6 km de pista fazem parte do patrimônio de Antônio Imbassahy, que quando prefeito fez várias intervenções na cidade para torná-la mais bonita. O que fez muito bem, Salvador precisa de tratamentos dessa natureza também, para elevar a estima de seus cidadãos pela cidade onde moram.


Pena que sua obra de gestor "moderno" tenha se limitado aos parques e jardins. A velha cidade da Bahia precisa disso sim mas reclama por muito mais, notadamente na sua infraestrutura.

Quem quiser que compre esse pacote bem embaladinho do PSDB. Eu é que não vou nessa, quero saber é quem está disposto a ser o Lula de Salvador, apontando a máquina da prefeitura para a realização de obras estruturantes e voltadas para a inclusão de sua enorme população paupérrima.

E aí, tia Lídice? habilita-se ou não?



O que fazer se três respeitáveis senhoras dedicam o final de suas saudáveis caminhadas matinais para a alimentação de pombos no Largo de Santo Antônio? já tentei explicar -e outros moradores também o fizeram-que essas ratazanas de asas veiculam toxiplasmose e outras graves doenças mas elas ficam indignadas, dão as costas e mandam ver no milho. Sugestões à redação desse blog, por favor.



O porto de Salvador vai ganhar uma expansão que o levará até perto da Boa Viagem. No meio do caminho, a Feira de São Joaquim, o maior patrimônio vivo da cultura do povo de Salvador. E agora?



Menino, que diliça esse negócio de blogar na base do drops. Não precisa nem de título, uia!




Se minha neta um dia me disser que quer ser jornalista, jogo ela do sexto andar do primeiro prédio que aparecer pela frente.


quarta-feira, 14 de maio de 2008

VOU VARRENDO, VOU VARRENDO...


Tô numas de varredura randômica hoje.

***

Uma lesão na coxa direita me deixou fora de combate nos últimos dez dias, sem poder correr. Coincidentemente (de novo!), os mapas de bio-ritmo disponíveis na net acusam baixa produtividade física, período em que, segundo os entendidos do assunto, são escassos os recursos para a sustentação de exercícios extenuantes.

Sempre desprezei os diagnósticos e oráculos dirigidos às multidões, tipo horóscopo, I-Ching, índice de massa corporal etc. Talvez por ter visto Armando Akitundé Vallado jogar seus búzios tão talentosamente, falando com propriedade e honestidade intelectual sobre passado, presente e futuro de seus consulentes, no terreiro de candomblé ketu Casa das Águas, em Itapevi-SP.

Mas confesso ter ficado algo encafifado com a coincidência dos mapas de bio-ritmo com os ciclos em que sinto-me disposto ou muito cansado para correr ou pedalar. Bate em cima, uia!

Hoje, quando os sinos da igreja de Santo Antônio dobravam, anunciando as seis horas da manhã, lá estava eu de short, camiseta e tênis recomeçando a correr, psico-fisicamente ativado por uma porção mágica composta por guaraná em pó, cloreto de magnésio e uma cápsula de Pharmaton. Panoramix desenvolveu uma fórmula parecida na Gália, em 50 AC.

O verãozão baiano despediu-se de vez, dando lugar às chuvas intermitentes e aos ventos constantes. Só quem corre sabe o quanto é melhor fazê-lo sob uma temperatura amena e um sol menos causticante. Pra mim, então, é uma benção, sempre tive sérias desavenças com o calor.

Gosto de temperaturas mais amenas, tanto que desenvolvi forte apreço pelas nuvens, a impôr limites ao ímpeto abrasador do sol entre as 8 e as 16 horas. Antes e depois, tivesse eu sido consultado pelo Criador, tava liberada a luminonisidade amarela e acolhedora do astro-rei.

***

A saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente não merece festa nem lamentações. Sua passagen pelo MMA tornou irreversível a agenda ambiental em patamares conceituais nitidamente superiores aos que existiam em Brasília antes da posse de Lula. Deu uma brilhante contribuição para que o país não mais tratasse com tanta truculência seus recursos naturais, validando qualquer iniciativa pública ou privada que os desprezasse, ainda que em nome do imprescindível desenvolvimento econômico.

Há grande preocupação entre ambientalistas de todo o mundo quanto ao futuro dos biomas brasileiros, a partir de sua saída. Teme-se uma inflexão na conduta do MMA em defesa da biodiversidade brasileira, marca indelével da gestão de Marina Silva.

Duvido que isso aconteça. Seja pelas mãos de Jorge Viana, ex-governador do Acre, ou de Carlos Minc, atual secretário do meio ambiente do governo do Rio, não há mais ambiente político para um retrocesso nessa área.

Há sim é espaço para a modernização da gestão no Ministério e em seus órgãos, como o Ibama. Qualquer um desses nomes tem condição técnica de gerir a pasta com maior proficiência que a novamente senadora Marina, que poderá ajudar o governo –e muito- organizando no parlamento um poderoso lobby ambientalista.

No final das contas, baixada a poeira das incertezas geradas por sua saída, o Brasil ganhará com sua volta ao senado. Essa é minha aposta.

***

Lamentável a decisão do chamado bloquinho (PCdoB, PDT e PSB) em não caminhar com Marta Suplicy na disputa eleitoral paulistana. Uma chapa composta de duas mulheres desse nível, Marta e Luiza Erundina, seria quase imbatível. E daria à população paulistana a certeza de que a cidade estaria em ótimas mãos caso a tia Marta resolvesse disputar o governo de São Paulo ou a presidência em 2010.

Como nessa fase de conversações as decisões apresentadas como finais podem não ser tão finais assim, melhor esperar. Políticos gostam de empregos públicos e Marta Suplicy, diante das opções esquálidas de Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin, é uma aliança quase óbvia.

Aguardemos.

***

O carimbo de assassinos para o casal Nardoni e o de viado para o Fenômeno irá acompanhá-los até o último de seus dias. Foderam-se.

***

Às vezes tento mas fracasso e fico com raiva de mim mesmo quando sintonizo Mario Kertezs, Jose “Bocão” Eduardo e Raimundo Varela. Como é possível tanta boçalidade, tanta arrogância,tanto oportunismo no rádio e na TV da Bahia?

Almas sebosas de um tempo seboso, os que vivemos nessa esquina do paralelo 13 sul com a longitude 38 oeste.

Quem sabe o governo Wagner nos mostre o caminho da redenção... pelo menos do ponto de vista da comunicação político-publicitária ele começou a acertar, com os VT's que estão no ar, dando conta dos investimentos que a Bahia está recebendo graças ao bom relacionamento com o governo federal.

Demorou.

***

Alguém pode, por favor, avisar à diretoria do Vitória que após as 38 rodadas do Campeonato Brasileiro quatro equipes cairão para a segunda divisão?

***
Fui.

domingo, 11 de maio de 2008

O AMOR ESSENCIAL


Entrega, proteção, ternura, compreensão, alimentação, eternos cuidados.

Incomparável, único, insubstituível, inesquecível.

A mais completa tradução do amor entre seres humanos.

Beijos, mãe. Beijos, mães.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

E EU? E EU, HEIN?!

Juro que não é inveja. Mas a vida bem que poderia me dar uma moleza como dá para:

  • O Vitória, por ter como arqui-rival o Bahia.
  • O governo Lula, por ter Agripino Maia como líder da oposição. Ajudado por Arthur Virgílio.
  • Marta Suplicy, por "disputar" uma eleição contra Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin.

terça-feira, 6 de maio de 2008

É NÓIS, MEU REI

O Blog do Galinho completou um ano de vida ontem, 05 de maio. A conquista quase surpreendente do bicampeonato pelo Vitória, no dia anterior, obrigou-me contudo a adiar o anúncio de tão importante acontecimento para o dia seguinte. Humildade, já o disse aqui inúmeras vezes, segue sendo o mais espetacular atributo desse blog e de seu autor.

Vontade de continuar blogando, para o desespero de alguns, deleite de outros, completa indiferença de milhões e milhões de pessoas que entram na net pra bater papo, olhar e-mail’s e pular fora. A blogosfera brasileira espelha os hábitos de leitura e reflexão de nosso país, ou seja, segue sendo um quase nada.

Adoraria que fosse diferente, que o meu blog recebesse milhares e milhares de visitantes, ávidos por opinião e debate. Mas, sinceramente, honrar as visitas que recebo aqui basta para seguir em frente, mantendo as antenas em permanente prontidão, captando informações e devolvendo inquietações.

Deveria agradecer uma penca de gente que me ajudou a contruir esse blog. Mas não o farei, o receio de excluir contribuições vindas de tantas pessoas legais, conhecidas antes do blog e depois da publicação do BG, é maior que a gratidão.

Vou resumir meu sincero “muito obrigado” ao jornalista e blogueiro Marcus Gusmão, autor do saborosamente aflito Licuri. Faço desse velho amigo o mais completo depositário da minha gratidão a todos os que por acaso lerem esse texto e lembrarem-se que um dia foram valiosíssimos por sua audiência, críticas, elogios e sugestões.

Esse puleiro aqui foi minha melhor companhia nos últimos 12 meses. Junto com as corridas e as pedaladas, por supuesto. Num momento de profundas inquietações pessoais, as mais duradouras e vastas dos últimos 45 anos, ensinou-me a dialogar comigo mesmo e estruturar com um pouco mais de cuidado a interlocução com o mundo.

Mediou conflitos, alegrias, tristezas. E trouxe-me a chance de compartilhar, o que continua sendo, a meu juízo, a alma de um blog.

Lamento se não consigo oferecer textos melhores e abordagens mais criativas. Consola-me a certeza de que, como disse a passista da Beija-Flor à TV Globo, após o desfile desse ano no Rio, dou o meu melhor de si. Um gesto de exposição pública e de criação solitária, como toda criação.

Tal manifestação, ainda que carregando seus riscos inerentes, é acima de tudo um ato de imperiosa necessidade de comunicação. Ou de vaidade e exibicionismo, diriam algumas línguas mais peludas e menos tolerantes a filigranas. Paciência, seja por qual motivo for, eu só entendo o que penso quando escrevo. E publico.

Peço que relevem as constantes desatenções e faltas ao trabalho do revisor, o viadinho que nunca falha em deixar passar pequenas e às vezes grandes agressões à norma culta da língua portuguesa. Perdoem, além da negligência tem o fato de que herrar é umano, não é mesmo?

Prosseguirei opinando livre e apaixonadamente, sempre que isso me der na telha e trouxer prazer. Adoro ver a audiência do blog crescer lenta e consistentemente mas não troco a liberdade de escrever sobre o que quero e quando quero pela vontade de ser um hit da internet.. Nem fodendo, tô ligado no que tá rolando por aí mas não abro mão de escolher em tratar ou não de temas de grande interesse popular.

Sobre o cu do Fenômeno, por exemplo; ou a decisão do Professor Natalino em mandar a Bahia inteirinha para a puta-que-a-pariu; ou o caso Isabella; o Investiment Grade dado para o Brasil.

Não que eles não me interessem, por esse ou aquele motivo. Interessam sim. Mas não determinam a dinâmica desse cantinho eletrônico do mundo que é um blog. Aqui só vira pauta o que casa com o momento emocional e intelectual do autor, bem como suas possibilidades materiais de escrita e publicação. Se chegarem todas juntas, beleza, vira post.

Hoje, por exemplo, nada mais caberá senão refletir um pouquinho sobre as dores e sabores do ato de blogar, além de uma sugestão aos que estiverem em Salvador amanhã, 07 de maio.

Ione Papas, baianinha porretíssima, vai se apresentar às 22h no Jequitibar (bar do SESI, no Rio Vermelho), acompanhada por um naipe de músicos do nível de Ivan Bastos, brilhante baixista do Grupo Garagem. Vale muito ver essa notável sambista, radicada há alguns anos em São Paulo, cantar as coisas de Noel Rosa e de outros compositores brasileiros nessa rápida passagem por Salvador. Acabou de lançar seu segundo CD, o ótimo Na Linha do Samba.


Obrigado meninos, obrigado meninas.

Fui. Mas volto.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

VITÓRIA BICAMPEÃO E O BARÃO DE COUBERTIN


Quando eu era criança pequena, aqui na velha cidade da Bahia, tínhamos que aprender uma porrada de hinos. Tempos de ditadura militar, os hinos -com suas levadas marciais- compunham onipresentemente o universo cultural da época.

Além dos que eram ensinados em qualquer latitude brasileira, havia os que falavam da brasileirice levada às últimas consequências, que é a baianidade. Tudo que merecesse relevância, ganhava um hino.

Como o dedicado ao 2 de julho, que canta as glórias da vitória final do povo baiano, em 1823, sobre as últimas forças militares portuguesas resistentes à libertação do Brasil.

Ou o Hino da Primavera, composta por Adroaldo Ribeiro Costa, para celebrar a chegada da estação das flores e de quebra elencar um pequeno conjunto de valores que deveriam nortear a conduta da juventude da Bahia.

Por júpiter, não consigo lembrar do hino inteiro, apenas de algumas frases. Uma delas, contudo, parece não ter saído da cachola dos dirigentes e da torcida do Esporte Clube Bahia, antiga força futebolística que prossegue em sua inexorável trajetória de extinção. Como os tigres siberianos, não deverá sobreviver às próximas duas décadas.

Tem um trecho desse tal hino que fala assim:

"Lutar com braço forte
Em busca da vitória
Saber perder com glória
Sorrir na adversidade"

Ontem, logo após os jogos que deram ao Vitória seu bicampeonato baiano, via-se nos comentários da imprensa local e nas entrevistas concedidas por cartolas e jogadores o quão arraigado no mundo tricolor tornou-se a interpretação perdedora dessa estrofe, que leia-se, fala em vitória antes de derrota.

Esse ano, a torcida do Itinga desfila na segunda-feira pelas ruas da cidade com o orgulho de quem levou pau mas lutou até o fim. Um espetáculo de espírito olímpico, perder ou ganhar virou detalhe, possibilidades intrínsecas do futebol, apenas.

Ano passado, ouviu-se algo parecidíssimo: "perdemos o campeonato mas aquele jogo foi sensacional né?", referindo-se ao triunfo épico do Vitória sobre o Bahia por 6X5, em plena Fonte Nova.

O que está estragado nesse discurso? pela pulgas do camelo do meu pai, tudo!

Clubes de futebol de massa não são mantidos vivos, mesmo que entubados como o Baêa-Sua-Porra, para "saber perder com glória". Vivem para dar alegrias as suas torcidas. Alegrias consistentes, duradouras. Títulos, ora bolas.

Ganhar virou a exceção, o Bahia e sua torcida acostumaram-se com a derrota, como a um velho chinelo. Não levantam um troféu estadual desde 2001 e sentem-se plenamente recompensados ao vencerem em 2008 três Ba-Vi's e perderem, mais uma vez, o título.

Diferentemente do glorioso Esporte Clube Vitória, que aprendeu a vencer nos últimos 20 anos. Encantou-se com o doce sabor que só aos vencedores é dado conhecer, ao ponto de conseguir perder quando pode e ganhar quando necessário, como nessa edição do Baianinho.

Aos meus queridos amigos e amigas tricolores, que terão que esperar por 2009 para sonharem ver campeão baiano seu conformado time, mando calorosas saudações rubro-negras e votos de que o Bahia honre a tradição de saber perder com glória por muitas e muitas décadas, dando-se por satisfeito em competir, como declarava o Barão de Coubertin, fundador das modernas olimpíadas.

De preferência como o brioso time de Vitória da Conquista, que caiu de pé ontem em Camaçari, empalado com uma goleada estrondosa, 5X0.


Nós, vencedores de hoje e dos próximos anos, e nada chegados nessa nobreza olímpíca toda, escolhemos celebrar títulos no Barradão, nossa casa própria, onde o Bahia venceu-nos por 4X1, há 15 dias.

Valeu Leão. Agora é reunir forças para lutar com gente do nosso tamanho, né? Espancar inválidos em torneio local é obrigação mas permanecer na elite brasileira do futebol e planejar um título nacional com os pés no chão demanda mais talento que o possível com nomes como França, Marco Aurélio, Batatais...