POR OUTRO LADO...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

QUANDO A MENTIRA VESTE-SE DE LENDA



Foi num encontro de ex-alunos da Escola Técnica Federal da Bahia, no final do ano passado, que reencontrei um professor do curso de Geologia, anos sumidos das vistas um do outro.

"Ah, você mora no Santo Antônio, Galo? que legal, minha família tem uma ligação histórica com aquele lugar, sabia? meu bisavô foi quem destruiu, com um tiro de canhão, uma das torres daquela igreja. Ele era comandante da Marinha!"

Não entendi de onde vinha o orgulho dele diante do feito mas também não dei muita bola, pressentindo que ouvia mais uma deslavada mentira promovida ao status de lenda após anos e anos de entusiasmadas narrativas.

Tão convicta quanto às que afirmam que a Igreja de Santo Antônio só tem uma única torre, onde está instalado o sino, por causa de um raio, que destruíra a outra torre, certa feita.

Junte-se a elas a "informação", fruto de muita "pesquisa", dada pelo dono de um boteco que fica no Largo, que assegura que a igreja foi erguida com apenas uma torre por que a Igreja Católica usava como critério de arrecadação para a Diocese exatamente o número de torres. Segundo ele, a tabela de preços era absurda para as casas de Deus com duas torres.

Pois foi que na semana passada conversava com um antigo morador do bairro sobre uma outra lenda baiana, a do Esporte Clube Bahia, e tomei a decisão de tirar a história da torre a limpo. Fui procurar o velho pároco do Santo Antônio, Monsenhor Gilberto Pithon, em sua casa.

Gilberto foi o padre daquele lugar de 1975 a 2000, quando aposentou-se após 50 anos de sacerdócio. Mora ali mesmo, no velho Largo, cercado de lembranças e livros. É autor de 10 deles e tem profundo conhecimento histórico da paróquia e do santo.

Riu das histórias que lhe contei e rapidamente despiu-as exibindo documentos e fotos publicados em uma de suas obras, em que consta uma imagem feita da igreja no final do século XIX, quando ela não tinha torre alguma.

É isso mesmo, a 4ª e definitiva igreja erguida no velho Largo de Santo Antônio Além do Carmo para o louvor do santo -que era o padroeiro das forças militares lusitanas- simplesmente nunca teve duas torres. Sua única torre foi incorporada ao imóvel no começo do século XX, para abrigar o sino que está lá até hoje. Apenas isso.

Despedi-me do velho padre rindo dos heróis do passado e dos "historiadores" do presente. E com uma certa compaixão pelo professor, tão necessitado de fazer-se representado, de alguma forma, em atos que marquem a história de um povo, de um lugar. Mesmo que isso seja apenas uma mentira sincera.

Mas quem poderia reprovar-lhe o gosto da crença em uma lenda? vivemos tantas delas diuturnamente ao registrar o que a imprensa publica, o que os políticos prometem fazer, não é mesmo?

Pior: quantos de nós empenhamos tempo, energias, esperanças num amor que até as pedras sabiam que fora erguido com vigorosas lajes e colunas de sonho, prometendo uma vida feliz no futuro e entregando desassossego e frustração no presente?

Mentiras e seus estágios mais elaborados pelo tempo, as lendas, estão aí pra quem quiser contemplar e mesmo viver por conta delas.

Tá valendo também, só não pode é reclamar depois, dizendo que foi enganado, né?




"Pega Leão, estraçalha Leão, arregaaaaaça Leão!". Ver o Vitória vencendo no Barradão nesse Brasileirão 2008 com o ouvido ligado na melhor narrativa de gol da Bahia, a de Ranieri Alves, da Rádio Sociedade da Bahia, só não é melhor que cheiro de mulher e mocotó de pirão com cerveja trincando de gelada. A sonoplastia do Leão rugindo durante o grito de gol é algo de arrepiar, diliça!




Por falar em Barradão, espaço nobre do futebol brasileiro e palco do que promete ser a melhor campanha do Vitória em todos os tempos, queria falar um pouquinho sobre a proposta apresentada semana passada pela direção do quase extinto Baêa-Sua-Porra ao Vitória, numa reunião intermediada pelo presidente da Federação Baiana de Futebol. O Bahia quer mandar seus jogos na Série B no estádio rubro-negro.

Jorginho Sampaio, presidente do Vitória, declarou ao final do encontro que submeteria a proposta do rival à apreciação de seus pares. E que ouviria também a voz da torcida rubro-negra.

Deu uma clara pista da má-vontade diante do pleito tricolor, que em muito faz lembrar a fábula da cigarra (tricolor) e da formiga (vermelha e preta).

A provável recusa por parte da direção do Vitória deverá ser calçada, entretanto, em motivos bem mais consistentes que a rivalidade clubística. Do ponto de vista financeiro, inclusive, seria um ótimo negócio alugar o Barradão para o Bahia.

Seria, se isso não envolvesse riscos enormes de crédito e de depredação do patrimônio do clube. O Bahia tem um rol interminável de ações trabalhistas e o arresto de suas arrecadações é o caminho mais óbvio para garantir os direitos de seus reclamantes. O Vitória provavelmente vai virar apenas mais um credor dessa quase massa falida que é o Baêa-Sua-Porra.

Por outro lado, são mais que evidentes os sinais de que a massa tricolor vai arrebentar com o Barradão, por mais que seja prometido um policiamento ostensivo no estádio.

Pelo sim, pelo não, melhor que cada um cuide de sua vida e colha o que plantou.

A diretoria do Vitória tem o dever de avaliar essa questão com frieza e civilidade. E educadamente dizer não ao Bahia. Pode deixar que nós, velhos e novos rubro-negros, nos encarregamos de civilizadamente dizer fodam-se!

sábado, 28 de junho de 2008

O DESALENTO DE JOÃO BATISTA


Ufa, acabou a rave junina. João Batista deve estar com seu santo saco imerso em tijela de água gelada, tamanha a aporrinhação que se transformaram as outrora alegres e gregárias festas juninas.

Palcos enormes, multidões, trilhas sonoras marcadas por um pastiche de forró em que o baião, o xote, o galope, o xaxado -tudo virou uma só coisa, chata pra cacete por sua monocordia musical e literária, sempre muito próximo, quando não enfiado até o talo, na vulgaridade do óbvio apelo sexual.

Ganhou muito mais quem não se deixou seduzir pelo slogan megalomaníaco e falso "O Maior São João do Brasil" e escolheu participar de festas organizadas entre amigos e vizinhos, estas sim capazes de evocar o melhor do espírito dessa festa à fantasia em que a música, as comidas, figurinos, cenário e a grande encenação da quadrilha garantem a renovação do contrato social alegre, compartilhado, brejeiro.

As festas juninas são o exato oposto da carnavalização, do grande espetáculo. Transformá-las em produto de entretenimento de massas é, no mínimo, um equívoco conceitual por pelo menos três razões.

Primeiro que a temática junina e sua deliciosa trilha sonora agradam em cheio à festeira urbe soteropolitana mas nem de longe a apaixona. Diferentemente de Pernambuco e Paraíba, onde o forró é dançado de janeiro a dezembro, o recôncavo baiano forrozeia sim senhor mas goza mesmo é com o samba e com as infinitas variações afro-caribenhas, percutidas no fundo da alma de seu povo. Essa é a matriz que faz com que Salvador seja um vigoroso epicentro de festas públicas levadas a pandeiro e trio-elétrico e não com sanfona, triângulo e zabumba.

Em segundo lugar, a inobservância da identidade cultural do recôncavo gera um desperdício de recursos públicos para organizar e promover uma festa que não resultará em nenhum benefício cultural e econômico consistentes. Vira o que se viu no Pelourinho, uma festa como outra qualquer -grande pra cecete, cara pra cacete, é certo- mas incapaz de atrair um único turista ou movimentar a economia local em bases que justifiquem tamanho investimento como que fez o Governo da Bahia.

Por fim, essa porrança de dinheiro que foi gasto teria muito melhor destino se colocado a serviço da política cultural, a meu ver já exitosa, praticada pelo próprio governo Wagner, em que ao invés de alocar vultosas quantias nas mão de alguns poucos artistas e produtores preferiu-se pulverizá-la, via editais, entre os núcleos que fazem da cultura uma vivência mais próxima da população. Noutras palavras, o cachê fabuloso pago ao "sertanejo" Daniel por uma noite de apresentação no Terreiro de Jesus estaria muito melhor aplicado se patrocinasse um ano inteirinho de apresentações de Gerônimo nas escadarias do Passo, ali na Ladeira do Carmo, toda terça-feira.

Não é à toa que em Salvador São João continua mandando a empregada dizer que está dormindo, para os que batem à sua porta. O cara já leva uma vida dura de santo, não come ninguém, não tem tempo de ir ver o Vitória ganhar no Barradão e ainda por cima querem que ele vá se divertir ouvindo "Chupa Que é de Uva" no Pelourinho?

É querer muito do cara, né não?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

AS SOMBRAS DA BOA VIAGEM E OUTROS QUETAIS


Para melhor ilustrar os comentários feitos no post anterior sobre o sombreamento das praias, nada melhor que essa imagem da praia da Boa Viagem, em Recife. Não é nada difícil imaginar o que acontece todo dia ali, duas ou três horas depois do instante em que foi feito esse click, né?

Não quero ser chato e muito menos posar de autoridade diante da imprensa baiana -faltam-me créditos para tanto- mas continuo com a impressão que o debate sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador ganharia em qualidade e em mobilização da opinião pública se nossos briosos meios de comunicação, tão eficientes para repercutir escâncalos e faturar sobre a violência urbana, perseguissem a objetividade como método da produção de conteúdo noticioso de bom valor informativo.

Num momento em que arquitetos, ambientalistas, urbanistas e outros profissionais diretamente envolvidos na discussão apontavam, ou melhor, insinuavam que haveria sombreamento das praias de Salvador por conta do novo gabarito permitido para os prédios que serão construídos ao longo dos mais de 50 km da costa soteropolitana, ninguém foi a fundo para buscar exemplos dessa tragédia pelo Brasil afora e muito menos investigar os estudos de sombramento que a prefeitura jura que fez. Qual órgão de imprensa os viu?

Ficou, mais uma vez, nas platitudes. E no desserviço à comunidade baiana, pobremente informada, como sempre.




O menino Marquinhos (18 anos) comemora o primeiro gol do Vitória no triunfo de 2X1 sobre o Internacional de Porto Alegre, ontem no Barradão. Foi dele também o passe que resultou no gol de Willians Santana.

Esse promissor atacante rubro-negro representa a retomada da tradição do clube na revelação de atletas de primeira grandeza, que sob a batuta segura de Wagner Mancini, vai mesclando experiência e juventude, pratas da casa e "estrangeiros", titulares e reservas -tudo em nome da formação de um grupo competitivo, motivado e realizador de resultados.

Se não houver interferências externas devastadoras, como por exemplo atraso no pagamento de salários e dos tais "direitos de imagem", esse grupo vai entrar na história do Vitória. Tá, tá legal, ainda é cedo pra vaticinar alegrias, o Brasileirão terá 38 rodadas eontem encerrou-se apenas a sétima delas, tô de acordo.

Mas como não perceber que estamos diante de um treinador e um elenco que produzem resultados que há anos não se via na Toca do Leão, quando a regra era a formação de times que se comportavam de forma ciclotímica, onde goleadas contra e a favor enlouqueciam sua torcida?

Esse grupo parece ser realmente capaz de vencer seus jogos em casa -seja lá contra quem for- e trazer, no mínimo, empates importantes nos jogos realizados fora de seus domínios. Isso não é pouco, vamos combinar.

As próximas três rodadas deixarão claro a que veio esse Vitória renascido dos desastres megalomaníacos de seu ex-presidente, Paulo Carneiro. Tem Goiás em casa, Potuguesa fora e Botafogo em casa, nessa ordem.

Façam suas apostas, senhores, a minha tá feita e é vermelha e preta.




Jogo duríssimo daqui pra frente para quem for pego dirigindo embriagado. Pior ainda se causar acidente com vítima, aí o sujeito tá fu-di-de-o-dó.

Que dizer disso, senão que o Brasil precisa de uma meia dúzia de leis que sinalizem tolerância zero para certos tipos de infração?

A metástase da impunidade precisa ser estancada, com leis que estabeleçam marcos civilizatórios mais adequados para um país que se posiciona como potência econômica dos próximos anos.

Mais dia menos dia essa onda moralizante irá pôr no lixo comportamentos imorais, ainda que amparados por leis tão imorais quanto, como os que os políticos praticam ao gastarem fortunas em publicidade, em nome da "informação" à sociedade, como faz a Prefeitura de Salvador nesse ano de eleições.

Sobre isso bem falou Washigton Olivetto numa entrevista tempos atrás, quando apontou que a propaganda pública no Brasil não informa, persuade e isso faz toda a diferença em comunicação publicitária.




A Mulher-Melancia esteve ontem no programa do Gugu, vestida, digamos, com uma roupa preta coladinha no corpo, do pescoço ao tornozelo.

A mulherada não se conforma que uma representante da categoria gordelícia cause tanto impacto entre os homens. E a gordura e a barriga e a celulite, brandem elas, não depõem contra a moça??

Deixa pra lá...




Esse preto pobre e franzino aí debaixo fez tanto pela música nordestina que me criou um problema, não consigo achar graça nesses pasteurizados forrozinhos-pop de hoje. Fico esperando a fusão do samba com o xote, do côco com o xaxado, do som brejeiro e ágil da sanfona...e nada, só repetição, repetição, repetição.

O forró é o primo sanfonado do samba, ensinou mestre Jackson do Pandeiro. Falou e disse.

Feliz São João a todos, fui.


quinta-feira, 19 de junho de 2008

UM OLHAR RANDÔMICO E UMA CERTA INQUIETAÇÃO



Encontrei essa imagem hoje de manhã no Blog do Noblat. É de autoria do fotógrafo Sérgio Amaral e está originalmente postada num excelente blog de fotografia chamado Picturapixel.

Foi realizada numa praia do Recife, sob o tema "futebol" e me deixou duplamente aflito, a despeito da surpreendente composição.

Quem conhece a capital de Pernambuco interpreta instantaneamente essa nesga de luz. É o beco que ao sol foi permitido passar, entre um prédio e outro da emparedada orla recifense. Um horror de sombra causado pelo gabarito de construção civil da cidade que simplesmente ignorou as consequências da altura dos prédios para o sombreamento das praias. Deu nisso.

A segunda fonte de aflição trazida por esse clique foi a desqualificação do debate em Salvador sobre o PDDU. Do muito do que se falou à época sobre os novos gabaritos para a construção de prédios na orla soteropolitana, nada foi claramente dito sobre os estudos de sombreamento das praias. A pergunta, a espera de resposta, é bem simples: o novo gabarito da orla irá ou não sombrear nossas praias?

Se sim, cometeu-se um crime, como esse de Recife; se não, esculhambe-se o PDDU por outros (e reais) motivos, que são muitos, diga-se.

Alguém pode, com o perdão do trocadilho infame e irresitível, iluminar essa questão? Cartas à redação, por favor.




Enquanto Dunga estiver no comando da Seleção, esqueça que viu jogar laterais do nível de Nelinho, Leandro, Jorginho, Junior, Marinho Chagas; e que firuleiros como o Robinho no passado eram ótimos reservas, como Denilson, lembra?

Essa geração de atletas é mediana, ordinária e esse é um fenômeno que acontece a cada 20 anos e dura mais ou menos tempo, de acordo com o Lazaroni, Parreira ou Dunga que esteja no comando. Pode prepara o banho tépido para os ovos, vem aborrecimentos por aí.




É quase certo o nome de Aldo Rebelo como candidato a vice-prefeito na chapa de Marta Suplicy, para as eleições da capital de São Paulo. Os últimos detalhes estão sendo definidos entre o PT e o chamdo "bloquinho", composto por PCdoB, PSB, PDT.

Além dos detalhes financeiros -que não são detalhes na política, são a essência desse negócio- há ainda que se acomodar as pressões para que o nome seja o da deputada e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que tem experiência administrativa, ótima imagem pública e, vamos combinar, muito mais a contribuir com a cidade que Rebelo.

Seja um ou outra, o fato é que Marta segue firme de volta para o comando da maior cidade brasileira. O desafio é reestabelecer a confiança da classe média, que em São Paulo é numerosa e politicamente hegemônica.

Se a tia Marta conseguir controlar seus rompantes de perua arrogante, vai levar mole essa eleição, chegando em 2010 como nome forte para o Governo do Estado, para o desespero do PSDB paulista.

Melhor tirar as crianças da sala durante o horário eleitoral, nessa eleição. O nível da disputa será dos piores.




Juro que não consigo compreender a resistência das pessoas em fazer uma simples doação de sangue, um ato seguro, rápido, indolor e de inestimável valor para a saúde pública.

Ô cabeção, não custa nada, dá um pulinho no banco de sangue mais próximo de sua casa ou do escritório e faz isso. Você vai se sentir um cidadão melhor, experimenta.




Se você tem uma lesão ortopédica qualquer, uma dor que não passa nunca ou que vem e vai, sacaneando seus dias, olha a dica aí: ligue pro Hospital Sarah e solicite uma consulta. Em Salvador, o número é 71 3206 3599 e o serviço -público e gratuito- é de altíssima qualidade.




Vou morar em Mulungu do Morro ou em qualquer outra cidade próxima à puta-que-pariu se João Henrique Carneiro for reeleito prefeito de Salvador. É insuportável a mediocridade desse político, que está torrando impunemente uma grana obscena em publicidade, nesse ano de eleição.




Pronto, aconteceu de novo, basta falar em João Henrique, ACM Neto, Raimundo Varela, Jose Eduardo "Bocão" e outros ícones da cultura trash da Bahia que meu humor desce imediatamente ao tornozelo.

Vou embora, depois eu volto, humpf!




terça-feira, 17 de junho de 2008

MINHA BABÁ JOSILENE

Voltar a morar na Bahia depois de 12 anos tem me trazido mais que reencontros com lugares e pessoas. Cada dia mais fica claro que o grande reencontro nascido dessa volta foi comigo mesmo, minhas memórias, medos e alegrias primordiais, reminiscências há tanto abandonadas num canto qualquer da memória.

Um desses atavismos instalou um sorriso instantâneo na minha cara hoje de manhã, quando voltava de uma sessão de fisioterapia na unidade de Salvador da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação.

Vagava absorto nos meus pensamentos quando lembrei de Josilene, a babá que cuidou de mim desde que nasci até os quase 18 anos de idade.

Nunca mais recebi cuidados tão devotados como os que recebi de Josilene. Minha mãe ficava as vezes algo enciumada com a dedicação da moça, que fazia questão de levar café na cama pra mim todo santo dia, 7 dias na semana.

Lembro como hoje a tristeza que senti quando ela foi embora, casada com um lutador de boxe e carpinteiro. Sumiu, nunca mais foi vista ou dela tive notícias.

Restou apenas meu retrato, que ela guardava tal qual jóia rara e não levou quando se foi.

A foto é essa que está aí embaixo. Foi realizado na comemoração dos meus seis meses de idade e basta olhá-la que as lágrimas marejam os olhos, espelhando a saudade e a gratidão que sempre terei por aquela doce mulher, que tanto me deu e ensinou.

Sniff!



PS.: Valeu, Moacir Galo! até hoje rio dessa foto e de como ela era apresentada. Tempos de boas risadas. Beijos, obrigado pelo envio da imagem.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

AS ELEIÇÕES E UM RELÓGIO COR-DE-ROSA


Walter Pinheiro (PT), ACM Neto (DEM), Antonio Imbassahy (PSDB), João Henrique (PMDB). Sairá dessa short list o alcáide de Salvador de 2009 a 2012.

Torço para que tenhamos Pinheiro e Imbassahy no segundo turno, a expor publicamente os modelos de gestão do PSDB e do PT, que alguns querem fazer parecer idênticos, mudando apenas o rótulo.

Não são não. As gestões petistas são claramernte marcadas pela inclusão social, por meio da universalização dos serviços públicos e pelo fortalecimento do estado, esse último entendido como agente não apenas da regulação -como praticam as gestões do PSDB- mas como ferramenta insubstituível para o investimento público no desenvolvimento econômico e social.

Essa discussão sobre o papel do estado e o salto de qualidade nos serviços públicos precisam ocupar o centro do debate em 2008 e 2010. As receitas tributárias brasileiras irão aumentar exponencialmente nos próximos anos, por conta do petróleo e do etanol e é fundamental que todos os entes da federação escolham corretamente onde e como utilizá-los.

É chegada a hora de exigirmos mais que a universalização dos serviços públicos. O novo prefeito deverá estar visceralmente comprometido com o resgate de uma educação pública de alta qualidade, como tivemos no passado; que os serviços de saúde atendam a população em níveis de qualidade como os que a Rede Sarah pratica (exclusivamente com recurdos da União); que o transporte de massa seja tratado como solução urgente e estratégica.

O PT pode e deve adotar esse questionamento como linha condutora de sua campanha municipal, que será duríssima aqui na velha Cidade da Bahia. Provocando um debate qualificado é possível desarmar as faces moderninhas e bem vendidas do neo-tucano Imabassahy e do medíocre João Henrique. Há que se ousar nas peças de rádio e TV, durante o horário eleitoral, para que a população soteropolitana possa sacar a real da parada. Não vai ser fácil mas é possível, veremos.

Faço fé que o nome de Lídice da Mata na chapa de Pinheiro seja capaz de promover uma empolgação que o tímido Pinheiro não parece ser capaz de provocar. Lídice tem personalidade forte e pode colorir a marcha para a prefeitura. As mulheres baianas são muito especiais e essa é um bom exemplo. Retada, vai ajudar muito. Assim como Olivia Santana, do PC do B, assim que o esperneio da ocupação de espaços passar.

Nessa cidade de Oxum, às mulheres foi dada a missão de salvar-nos da mediocridade de João Henrique, do coronelismo predatório e babaca de ACM Neto e do bom-mocismo bem embalado de Imbassahy.

Salve-nos, meninas!




Antes que alguém me veja por aí, correndo com um cronômetro cor-de-rosa no pulso e comece a espalhar aleivosias a meu respeito, trato de previamente esclarecer o seguinte.

Nasci amblíope e daltônico. A ambliopia, tardiamente diagnosticada (aos 12 anos), resultou num olho que quase não funciona; o daltonismo me faz não perceber ou confundir algumas cores, o que não me permite ler um texto preto sobre fundo vermelho ou azul, por exemplo.

Melhor que André, meu irmão exilado na Alemanha há mais de 20 anos, que comprou um carro preto certa feita, convicto de que era vinho.

Pois fui eu à Baixa dos Sapateiros dias atrás comprar um relógio digital que tivesse função de cronômetro, daqueles com números enoooormes, pru mode usar nas minhas corridas.

Após dura e longa negociação com o camelô que faz ponto na esquina da Ramos de Queiroz com a J.J.Seabra, paguei os dez reau acertados e fui embora, com um legítimo Naique no pulso.

Não tardaram as gozações. O dito tem aplicações -juro, não percebidas- em rosa. Ou seja, além de ouvir as velhas e infames piadinhas do tipo "que cor é aquela?", ainda tenho que agora aguentar as dessa natureza. Afff!

A quem interessar possa, aviso que o velho Galo continua pondo ovos nos lugares devidos, que não conhece nenhum sargento do Exército e que nem tomando uma pipa de cachaça confunde mulher com traveco.




Sofrível essa geração de atletas que desfilam vaidades e pouco futebol na Seleção do não menos sofrível Dunga. Dois laterais medianíssimos (Maicon e Gilberto), dois volantes esforçados (Mineiro e Josué), dois centroavantes raçudos (Adriano e Luiz Fabiano). Difícil fazer um prato requintado com esses ingredientes e um chef especializado em arroz com feijão.




Vida melhor leva o glorioso Wagner Mancini, que vive o doce dilema de quem escalar, diante das (boas) opções que tem no elenco do Vitória. E em agosto vai piorar, quando Nadson chegar da Coréia.

Domingo tem churrasco no Barradão, casa cheia e uma subidinha legal na tabela. Estarei lá.




Saudade de Jackson do Pandeiro, nesses dias de forró eletrônico que enchem meus preciosos culhões.




Volto amanhã, fui.



quinta-feira, 12 de junho de 2008

QUANTO VALE GERÔNIMO?

Algo de muito estranho paira sobre a cena cultural baiana. Mais precisamente sobre as escadarias da Igreja do Passo, aquela mesma onde foram gravadas as cenas mais importantes de "O Pagador de Promessas", no início dos 60.

Há cinco anos, todas as terças-feiras, a partir das 19h:30, um homem carrega cruz e trombone na direção do altar do reconhecimento do seu valor artístico pelo poder público e pela iniciativa privada, cercado de músicos igualmente talentosos e tão obstinados quanto esse pagador de pecados. Todos dão o melhor de si e visivelmente divertem-se oferecendo a gringos e baianos de todas as cores, que lotam as escadarias do Passo, um espetáculo de música profundamente identificado com a estética baiana. Ninguém ganha um centavo por isso, apenas um palco pequeno e uma platéia agradecida.

Não quero entrar no mérito de avaliações provincianas que eventualmente contaminam a percepção, dentro da Secretaria da Cultura do governo Wagner, sobre o valor artístico de Gerônimo ou acerca suas boas relações passadas com os governos carlistas. Recuso-me a acreditar que o executivo baiano aja de acordo com critérios tão menores qunto esses.

Não faço coro com as viúvas do carlismo que, de suas pequenas fortalezas culturais, disparam ódio e ressentimento contra a Secult e seu secretário Márcio Meirelles. Entendo que há nessa pasta um claro alinhamento com as estratégias de inclusão do PT, praticadas por Lula e por Wagner, defendidas nas propostas dos Pontos de Cultura e do fortalecimento das iniciativas culturais do interior do estado. Vejo muito mais acerto que erros nessa propostas de pulverização dos recursos públicos como forma de garantir visibilidade e sustentabilidade a um número maior de iniciativas culturais, ao invés de assinar o trio da Daniela Mercury ou do Chiclete.

Mas é inegável que isso é uma escolha, que ao debruçar-se sobre esse viés, o governo pretere outras formas de gerir a cultura e isso nunca seria capaz de provocar unânimidade entre os agentes culturais locais. Há divergências e muita argumentação consistente contra essa estratégia e é muito bom que assim seja, que o debate permeie as tomadas de decisão dos executivos da pasta.

Por outro lado, não me inclino a ter compaixão por artistas que esperam sobreviver gostosa e mansamente dos recursos públicos. Esses tempos passaram e cada um precisa viabilizar a difusão de sua arte e seu próprio sustento de acordo com as leis do mercado cultural, gostemos ou não disso.

Não é o caso de Gerônimo. Para além de seu inegável valor estético, Gerônimo cumpre importante função enquanto agente cultural ao agitar as noites da região do Pelourinho com suas sonoridades afro-caribenhas, regadas à melhor noção de samba baiano. Atrai centenas gringos ávidos por respirar a música, a ginga e o sorriso desse povo festeiro.

Ou seja, dinamiza o Pelô, diverte o Pelô e faz do Pelô um lugar bacana de se ver à noite. Isso é ou não uma contribuição cultural e econômica importante e alinhada com as políticas das áreas de cultura e do turismo da Bahia?

Enfim, senhores e senhoras da Bahia, quanto vale Gerônimo?

Rezo para que Oxóssi cuide de seu filho e adoce o olhar dos homens públicos baianos sobre ele. Gerônimo é um patrimônio da Bahia, merece respeito e reconhecimento pelo que fez e continua fazendo, com vigor e qualidade. E recursos suficientes para dar continuidade ao projeto das escadarias do Passo.

Quem sou eu para dar conselhos, ainda mais quando não solicitados, ao Secretário Márcio Meirelles. Mas sugestão eu posso e faço: Márcio, abrace esse redondo trombonista baiano chamado Gerônimo, tome umas duas com ele, chame sua tropa da Secult e veja o que dá pra fazer -de verdade- para apoiá- lo nesse projeto. Você, a cultura baiana, todos nós temos muito a ganhar com um gesto dessa grandeza. Se houver algum ressentimento ou mágoa pessoal -não sei se há- mande-o tomar no cu, chame ele de rolha-de-poço, sei lá, espante a raiva e celebre as pazes com vinho e boa negociação.

Esse filme não precisa terminar como o outro, em que o pagador de promessa entra morto, deitado sobre a cruz, né?

É isso. Abaixo, um vídeo amador gravado numa dessas terças-feiras na Ladeira do Carmo.

Fui.





quarta-feira, 11 de junho de 2008

TUCO


Arthur veio de São Paulo ficar perto de mim por 15 dias. Voltou nessa madrugada deixando um rastro perfumoso de alegria e generosidade. E um vazio repleto de saudades.

Resigno-me. Nem a distância é capaz de arrefecer o amor que me une a esse lindo menino. Aliás, parece que o amor, muitas vezes, só é possível assim, longe dos olhos. Acostumo, varado de dor mas acostumo.

Obrigado por ter vindo, meu filho. Odé vai te mostrar os caminhos mais seguros para o seu caminhar nos Estados Unidos, quando você chegar lá, mês que vem. Confie e siga.

Te amo, até breve.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

LUZ E VENTO



Acho que já nasci louco pelos dias de sol do outono e do inverno. A luz vira um amarelo de fazer delirar os fotógrafos, dando volume e charme a tudo o que ela inunda. Junte-se a isso as temperaturas amenas provocadas pelos ventos leste e sudeste, comuns na costa da Bahia nessa época do ano. Dilica.




Falar em ventos que fazem os coqueiros farfalharem animadamente e a luz doce do inverno no litoral nordeste brasileiro, fui ver semana passada o pôr do sol no Farol da Barra. Havia anos que não fazia isso e foi ótimo rever aquele espetáculo na companhia de meu filho Arthur, que chegara de São Paulo para passar uns dias comigo e aliviar um tanto as dores da saudade que sinto dos que ficaram por lá.




Eduardo Fenianos, o Urbenauta, passou por Salvador semana passada. Não vi uma nota sequer na imprensa local sobre seu projeto "Viagem pelo Brasil em 365 casas", em que ele visita todas as capitais brasileiras sem poder hospedar-se em hotéis ou pousadas, só vale convite de moradores. Será que o medo da violência já foi capaz de matar a hospitalidade brasileira?

Segundo ele, com quem conversei na terça após o show do Gerônimo na Ladeira do Carmo, pode não ter matado mas que já fez claros estragos fez sim. Relatou-me um certo desapontamento com os baianos, que mostram-se muito mais prudentes com desconhecidos hoje que alguns anos atrás.

Pelo sim, pelo não, Fenianos vai desbravando o Brasil depois de fazer isso na capital paulista, onde eu o ouvia quase diariamente pela Rádio Eldorado reportando a visão da cidade a partir de seus rios, a bordo de um barquinho. Figuraça.




Meu Vitória ganhou do Santos, a despeito da genialidade ou da loucura de seu enigmático treinador. Se ele estiver certo, pela primeira vez em muitos anos veremos um Vitória fortíssimo nas defesa e eficaz no ataque, o que no futebol desse século XXI leva a títulos. Vai virar deus para a grande nação rubro-negra.

Mas se esse filho-da-puta estiver errado enterraremos ele no Parque Socioambiental de Canabrava. Vivo.



Enquanto isso, aquele timezinho de bosta, quer dizer, desculpe, o Bahia, tomou uma decisão fundamental para a volta gloriosa à Série C, ao ressuscitar Arturzinho para o seu comando técnico. Ganhou na estréia, é verdade. O desastre virá é um pouco mais tarde, aguardem.

Nossos espiões infiltrados na diretoria incolor continuam fazendo um trabalho primoroso para terminar de foder o campeão da Taça Brasil de 1959.




Feliz do partido que estiver no poder a partir de 2014, desfrutando de uma porrança de receitas tributárias geradas por petróleo, álcool, biodiesel. Oxalá o povo desse país também o seja, rejeitando novamente em 2010 e 2014 os apelos charmosos e com cara de moderninhos dos neoliberais-privatistas do PSDB.

A vigilância é o preço do desenvolvimento social e econômico, senhores.




Preguiça do cacete pra escrever, nesses dias de vento e chuva. Mas vai passar, juro.




Fui.