POR OUTRO LADO...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ESTÃO VIVOS E NÃO MUDARAM

Volta e meia me vejo resmungando contra a imprensa blockbuster brasileira. Dependendo do fato, os resmungos vestem-se de protesto e denúncia, o que acaba, nessas vezes, por dar uma densidade ao meu puleiro maior do que gostaria. Fazer o quê, se não tenho o talento dos moços do Kibe Loko e do Catarro Verde? (veja o link deles aí do lado, cabeção!)

O jornal A Tarde, de Salvador, é um desses órgãos com quem mantenho um relacionamento bipolar, oras aplaudindo os textos da revista Muito, encartada aos domingos, oras chiando contra suas práticas empresariais materializadas como texto noticioso ou "opinião".

Dois episódios recentes reforçam-me o desejo de não abrir mão da crítica direcionada a esses meios de comunicação como um ato cidadão. Não aceito a calúnia, a difamação, a desonestidade intelectual como instrumentos de ação política, muito menos quando essas coisas são praticadas por um órgão de imprensa. Aí esse mirrado galináceo não perdôa e desce o pau nesses poderosos barões da informação.

O que não altera, é óbvio, uma única vírgula de seus textos e muito menos de suas intenções. Conheço perfeitamente bem meu tamanho, meu poder (sua ausência, na verdade) de infringir-lhes perdas.

Mas insisto. Nadar contra a maré é como comer mocotó com pirão e cerveja, não dá pra viver sem.

Recentemente me vi diante de dois episódios, nascidos nas páginas do jornal A Tarde, que mais uma vez me fizeram achar que vale a pena dar porrada nesse povo. Primeiro foi a nota difamatória publicada pelo jornalista Levi Vasconcelos contra o Secretário de Cultura do Governo da Bahia, Marcio Meirelles, o que ensejou uma carta pública de protesto muito bem escrita por Meirelles e que reproduzi nesse post aqui. Aliás, sobre esse episódio, leia também o recente comentário postado pela leitora Maiara Bonfim, dando conta de como o jornalista tratou as consequências de sua "informação". Benza deus.

O outro episódio foi a matéria publicada pelo jornalão quando da passagem de Walter Pinheiro pelo terreiro do Alaketu, mês passado, levado pela vereadora Olivia Santana. A mãe-de santo da casa pediu que não fossem feitas imagens enquanto ele ele ali estivesse. Atendendo o desejo da sacerdotisa, Pinheiro pediu que o fotógrafo de A Tarde não o fotografasse ali.

Resultado? uma matéria no dia seguinte, "informando" a visita, algo constrangida, do candidato petista (que é frequentador de uma igreja Batista) a uma casa de candomblé. Mais uma pérola do jornalismo a serviço da política, dos negócios e da intolerância.

Mais resultados? Idelber Avelar, autor de um dos mais importantes (e saborosos) blogs brasileiros, O Biscoito Fino e a Massa, publicou ontem (26/08) um post sobre as eleições municipais de algumas capitais e citou esse episódio como argumento para dar conta do seu desconforto ante a candidatos "evangélicos", mesmo os de esquerda. Tá bom pra vocês?

Imediatamente deixei um comentário por lá, usando inclusive o post feito pelo jornalista Oldack Miranda (blog Bahia de Fato) para mostrar que havia um grave erro de avaliação em relação ao episódio e ao candidato petista.

A reação do Idelber não tardou e hoje (27/08) ele fez uma atualização do post, posicionando-se diante das novas informações.

Moral da história: não dá pra deixar passar batidas as aleivosias praticadas em nome do jornalismo, que insiste em se enredar nas tramas da irrelevância e da leviandade, como nesses dois episódios. Se "informações" como essas são capazes de trair o bom senso de gente como Idelber Avelar, dá pra imaginar os estragos que elas continuam fazendo diariamente para leitores menos atentos?



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

PINHEIRO, A PREFEITURA DE SALVADOR E O IRRESISTÍVEL MOTE


A pesquisa Datafolha divulgada no último dia 23 sobre as intenções de voto para a prefeitura de Salvador (veja aqui), em que Walter Pinheiro (PT) surge com quase o dobro do número revelado na pesquisa anterior (foi de 8% para 13%), é muito mais eloquente do que se pode supor.

O caso é que o mote "Salvador, Bahia, Brasil" é aparentemente irresistível. Um presidente popularíssimo do PT, um governador também do PT e ainda em fase de consumo de créditos adquiridos com a vitória em primeiro turno há dois anos. A candidatura de Walter Pinheiro é facilmente discursada como o elo faltante para que a prosperidade chegue, enfim, a Salvador. Ninguém em sã consciência poderia afirmar que é impossível que ele vença em primeiro turno.

Salvador comeu o pão que o diabo amassou quando Lídice da Mata foi prefeita. Ningém esqueceu do garrote finaceiro operado contra sua gestão e desde lá os baianos de Soterópolis aprenderam que o alinhamento político entre os entes da Federação pode não ser o único critério para definir um voto mas que as chances da cidade ganhar aumentam muito quando isso é possível.

No senso político comum, a grana que jorrou farta nos cofres da municipalidade Salvador quando Imbassahy foi prefeito vai jorrar de novo com Walter Pinheiro. Simples assim e não muito distante daquilo que deverá realmente acontecer.

Os comandos da candidaturas adversárias já perceberam a extensão da encrenca e tentam desesperadamente colar suas imagens com a do Governador Wagner e a do Presidente Lula.

Perda de tempo. Faz é tempo que não vejo uma eleição tão fácil como essa de Salvador. Aliás, minto. A vitória de Marta Suplicy em São Paulo, cantada aqui meses atrás como barbada, aparenta ser mais barbada que eu pensava. Geraldo "Opus Dei" Alckmin e Gilberto Kassab conseguem ser piores que João Henrique Carneiro e ACM Neto.

Se não houver erros grosseiros nos programas de TV, Pinheiro vai esmagar seus adversários nas urnas. Mesmo tratando-se de um candidato de carisma modesto, Pinheiro está no lugar certo e na hora certa e isso, na política e nos negócios, é uma benção.

Seus programas na TV estão bem produzidos e falam o que a população espera ouvir. Se for bem dirigido e aprender a falar olhando firme para a câmera, fazendo aquela cara-de-macho-que-resolve, respeitadíssima por essas latitudes, não tem pra ninguém ainda no primeiro turno.

Já é.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ERAM OS DEUSES SUPER-ATLETAS?




Daqui a décadas eles serão lembrados como os grandes vencedores da Olimpíada de Pequim. Medalhistas de ouro, recordistas mundiais, anos-luz à frente de seus adversários.

Michael Phelps, Yelena Isimbayeva, Usain Bolt. Inesquecíveis performances, pratos muito bem servidos para as lentes da Getty Images, a mais tradicional agência internacional de fotografias especializada em eventos esportivos. O link deles está aí do lado, sob o título "Show de Imagens".

Quis dar uma foto pra cada um mas tive que me render ao talento dos caras da Getty. Graças a eles, Bolt teve bis. A imagem dele batendo no peito antes de cruzar a linha de chegada e bater o recorde mundial dos 100m livres era imperdível. O negão pode ser presepeiro pra dedéu mas é incrível o que fez.

No outro click dele, mais embaixo, veja no plano de fundo a placa indicando o novo recorde mundial para os 200m livres, sua segunda medalha de ouro em Pequim.

Tá com tempo livre e boa conexão? Gosta de imagens surpreendentes? Quer ver Pequim 2008 por composições fotográficas de tirar o fôlego? Moleza, entra lá e na home deles entre na aba editoriais/esportes/olimpíada. Boa diversão.


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A SIMPLICIDADE FICOU ÓRFÃ


Somos quase oito bilhões de humanos vivos. Somados aos que já morreram, um número impensável de pessoas andaram nesse minúsculo quadrante do universo, deixando suas marcas, contribuindo para que chegássemos até aqui sendo o que somos, individual e coletivamente.

Somos singulares em meio à multidão. Universos insulares, diluimo-nos diariamente no todo para materializarmo-nos num único ser vivo, parte constitutiva e constituinte das civilizações.

Alguns de nós recebeu dos deuses a incubência de expandir as fronteiras da raça, de fazê-la melhor, de torná-la capaz de propiciar o adequado ambiente para que as sociedades experimentassem vivências infinitamente superiores, libertando gradativamente os indivíduos da escuridão, da miséria intelectual, da grosseria.

Esses homens e mulheres, que aprendemos a chamar de gênios, fascinam por obras reconhecidas como capazes de nos fazer melhores, desvendando explicações antes distantes do nossos sentidos e compreensão.

Não bastasse a diversidade de áreas em que atuam, tantas quantas são as que expressam a curiosidade humana, há ainda uma que intriga a muitos e a mim, emociona.

Falo da capacidade de alguns iluminados de porem freios à complexidade, ao extraordinário mas quase inexplicável.

Eles tornam-se imortais pelo condão de fazer da simplicidade a marca de sua inventividade.

Dorival Caymmi foi um desses poderosos gênios e sua passagem encheu-me o coração de tristeza, não pelo óbvio significado físico de sua morte, lamentável, é claro.

Sua ausência impõe aflição na medida do esgotamento físico de uma alma que entregou-nos maravilhas de singeleza poética e musical e que não mais está entre nós para alertarmo-nos contra a espetacularização, a vaidade desenfreda, a inteligência posta a serviço dela própria e não da libertação humana pela arte.

A morte de Caymmi convida para uma doce reflexão à beira do mar, ainda que mares não se vejam de onde você está, agora. Basta senti-lo que ele estará ao alcance de seus olhos, foi isso que esse grande mestre nos ensinou.

O amor, o mar, as pessoas simples, a simplicidade impregnada de boa vontade diante da vida. Caymmi foi o grande poeta do singelo, arauto imortal das coisas feitas e contempladas sem frescuras, sem floreios apresentados como geniais, enamorados por si mesmos.

Não foi a única forma de redimir a humanidade de sua inercial mediocridade. Claro que não foi.

Adoro elaborações mais sofisticadas também, não empunho a bandeira da simplicidade como única ferramenta de libertação. Mas confesso que nesse instante da vida é a que mais toca esse precário coração.

Quisera que o mundo ouvisse mais Caymmi e trancedesse seus ensinamentos genialmente óbvios, contaminando todas as áreas do conhecimento desse maravilhoso vírus.

Em meus delírios, vejo esse mundo cayminiano administrado por políticos que não perdem o foco na objetividade a serviço do progresso. Recusam terminantemente soluções estéreis, enfeitadas de tantas redondilhas, todas ditadas pela vaidade e pelos interesses escusos.

Vejo o amor esquivar-se elegantemente das complicações construídas pela intolerância, celebrando com beijos o mais fácil a se fazer que é apenas respeitar, tolerar, ouvir e dizer "eu te amo".

Enxergo daqui uma arte atenta às pessoas reais, às sua limitações e necessidades espirituais, capaz de conduzí-las pacientemente a estados superiores de percepção. Provocativa, intigante, luminosa, é certo. Jamais arrogante, incompreensível.

Toda a minha tristeza dos últimos três dias resume-se a isso: morreu o gênio que produzia maravilhas vestidas de humildade.

Nele, o requinte disfarçou-se de desprendimento estético e cheirava a alecrim. Suas mulheres não tinham a menor vergonha de se encolherem, chegando pro lado querendo agradar. Seus homens eram corajosos e sentiam vontade de contar mentira e se espreguiçar em noites de lua. Todos humanos, mortais, falíveis.

Abaeté era essencialmente uma lagoa escura, rodeada de areia branca e isso era tudo. Como o rosto de Marina, não pedia adereços para se mostrar bela, única, especial.

Arnaldo Antunes falou, segundo Caetano Veloso, que a música dele, de tão bonita, não parecia coisa feita por gente. Bonita construção mas inadequada, penso.

A obra de Caymmi foi bela exatamente porque era formidavelmente humana. Tocava o coração do mais humilde ao mais erudito e isso, vamos combinar, é que faz um homem se aproximar de Deus, não o contrário.

Obrigado, mulato bacana da Bahia, do Rio e do mundo. Você honrou a missão confiada pelos deuses e tornou-se um dos nossos melhores, com quem qualquer um de nós gostaria de ter tomado uma cerveja sob a sombra de um coqueiro de Itapuan. Simplesmente genial a sua passagem por esse lugar aqui, encantado Dorival.

Siga na boa, obrigado.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

SOBRE PEDRAS E MEMÓRIAS


Ganha corpo em Salvador mais uma discussão sobre passado e futuro. Dessa vez, o burburinho gira em torno da substituição do calçamento da Barra, feito de pedras portuguesas, por um novo pavimento, com granito.

O Ministério Público da Bahia, atento à discussão, colocou uma enquete em seu site para que seus visitantes opinem sobre o assunto, o que não confere ao resultado valor científico algum, apenas a opinião de quem por lá esteve, sem rigor estatístico.

O resultado demonstra aprovação pela substituição do piso, que é tradicionalmente utilizado por toda a cidade.

Esse assunto evoca uma recorrente discussão sobre a memória urbanística e arquitetônica da cidade. O antenado Licuri repercutiu o debate, vale a pena meter a colher também, vou nessa.

De uma lado do ringue temos a Prefeitura de Salvador, desastrosamente tocada por um político de expressão medíocre chamado João Henrique Carneiro, aliada incondicional de qualquer empreendimento da construção civil, mesmo que passando por cima do espaço público e da memória coletiva.

No outro corner, um bom número de arquitetos, urbanistas, artistas e intelectuais que se opoem a esse e a aparentemente qualquer outro projeto que implique na substituição de elementos da paisagem urbana, seja ele necessário e vantajoso ou não para os seus cidadãos. A tradição, a memória, a preservação parece impor-se sobre qualquer outro viés.

Há algo de estranho nesse debate. Salvador tem quase três milhões de habitantes e gravíssimos desafios a superar, entre eles a requalificação de seus espaços públicos, muitos deles sob forte degradação, como o calçamento de suas ruas.

As históricas e bonitas pedras portuguesas são simplesmente um terror para quem nelas transita. Irregulares e demandadoras de permamente e custosa manutenção, pouco mais se prestam aos seus cidadãos além de evocar reminiscências em seus defensores. Contribuem decisivamente para fazer de Salvador a mais hostil capital brasileira para quem tem limitações físicas, como os cadeirantes, por exemplo.

Torçi meu velho tornozelo semana passada, próximo ao Hospital Português (uia!), por causa desse lindo calçamento, tão bem cuidado pelo poder público municipal como foi a Fonte Nova pelos governos estaduais, inclusive o atual. Poderia ter me estabacado em qualquer outro canto da cidade, tantos são os passeios esburacados e alheios ao conforto e à segurança de seus cidadãos.

Não gosto do padrão "granito+concreto" implantado pela gestão Imbassahy em vários cantos da cidade. Acho-o feioso, além de sua indesejável característica impermeabilizante. Mas colocá-lo como alternativa ao desastre das pedras portuguesas é como oferecer forca ou guilhotina como únicas alternativas para resolver uma amidalite.

Pelos poderes de Odin, por quê raios de razão a óbvia discussão não é colocada, a de como servir à cidadania com um calçamento de boa relação custo-benefício (inclusive de manutenção) e que a proteja em seu caminhar, garantindo também o constitucional direito de seus membros com deficiências físicas de se locomoverem?

Que diabo de memória é essa que se põe acima da segurança de seus cidadãos, particularmente das mulheres, que vivem se esborrachando no chão, do alto de seus saltos?

Aqueles tijolinhos usados no Dique do Tororó e os que, com um desenho ligeiramente diferente, serão aplicados na Avenida Centenário poderiam perfeitamente resolver a parada, garantindo um piso plano, permeável e esteticamente melhor que o granito. Por quê não usá-los?

Senhores, senhoras: Salvador não é uma aldeia hippie. Clama por investimentos públicos e privados de boa qualidade, sofre de elefantíase e de maus tratos. Pede objetividade e capacidade de seus cidadãos e governantes para torná-la mais humana. E seriedade na discussão e proteção de sua memória.

Melhor refletirmos um pouco mais antes de aceitarmos um debate dualista, pobre em suas conceituações prévias -técnicas inclusive- como o que vemos sobre o calçamento da Barra.

Sob pena de continuarmos a achar bonitinho essas duas pragas urbanas da foto acima, trazida do Licuri, as malditas pedras "cross-country" e os pombinhos "toxiplasmose".

domingo, 10 de agosto de 2008

MEU VELHO


Tem dias que a saudade de você aperta que só, Leonan. Tenho você sempre comigo, viu?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

OS NOMES DA BAHIA

Coisa de dois, três anos atrás. Passava de carro pelo Rio Vermelho, sentido Amaralina, e uma placa na fachada de uma casa me chamou a atenção. Era uma loja de produtos ortopédicos e o nome escolhido por seu empreendedor foi "A Muleta Express".

Corta para domingo passado, próximo ao bar do Abdala, fim de linha do Garcia, nessa mesma cidade do Salvador.

Embalado pelo chacoalhar da lauta feijoada, olho pra cima e vejo a placa na fachada do pequeno sobrado : "Mãe Preta Business". Tava com pressa, voltarei para saber desse empreendimento. Deve ser algo ligado ao comércio internacional de berimbaus, algo assim, espero.

Fiquei encafifado. Baiano tem problemas com nomes de pessoas, físicas e jurídicas? Se não é isso como explicar também essa tradição de batizar os filhos criando incríveis neologismos próprios, como Carlígia (Carlos e Ligia), Glosório (Gloria e Osorio), Carline (Carlos e Aline), Elinaide (Elisio e Naildes)?

Depois ficam produzindo pesquisas acadêmicas para explicar a violência de filhos contra seus pais.

Isso é um assunto da maior importância mas meu tempo ficou curto. Volto a ele amanhã.

Mas, antes, não posso deixar de compartilhar com vocês o que acabo de ver nos búzios. O Vitória volta ao G4 daqui a algumas horas, com um triunfo formidável sobre o Palmeiras, debaixo de uma puta chuva no Parque Antártica. Avisei.

Ah, a imagem aí debaixo faz parte do programa de ACM Neto para a revitalização urbanística de Salvador. Vai começar pelo Dique do Tororó, como vocês podem ver.



ATUALIZAÇÃO, NO DAY AFTER DE PALMEIRAS 3X0 VITÓRIA:

1) Vende-se, pelo menor lance único enviado por e-mail, uma peneira com todos os apetrechos para jogo de búzios.

2) Três coisas incríveis na cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, vista há pouco. A exuberância de cores; as projeções de imagens em enormes planos; a boquinha vermelha daquelas moças. Tesão.

Tirando isso, vi um espetáculo incapaz de emocionar, apesar do rigor técnico. Fiquei desapontado.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

TEMPO PRESENTE, TEMPO SOMBRIO

Depois dizem que a imprensa baiana é atrasada. Ô povo da língua peluda, mania de falar mal da vida alheia, sô!

Não é atrasada não, está perfeitamente alinhada com as "melhores" práticas do jornalismo brasileiro, capitaneado pela revista Veja e pelos jornalões Folha, Globo e Estadão, entre outros de menor expressão.

Tem até uma versão soteropolitana da sabujice jornalística cometida por Diogo Mainardi, Lauro Jardim e Eliane Catanhêde. Atende pela graça de Levi Vasconcelos e é o colunista do "Tempo Presente", em cartaz diariamente na página 2 de A Tarde . O mesmo missivista que semanas atrás afirmou que "inevitavelmente" ACM Neto estaria no segundo turno das eleições de Salvador.

Mandou uma notinha pra lá de sem-vergonha no último sábado, afirmando que o Secretário da Cultura do Governo da Bahia, Marcio Meirelles, "foi visto" aos amassos com uma morena dentro do carro oficial, em frente ao Passeio Público.

Tal "informação" ensejou a indignação do secretário Meirelles, que publicou uma carta aberta dirigida à direção do jornal A Tarde, que faço questão de reproduzir aqui, na íntegra.

Não sou funcionário público, não devo favores ao governo federal nem ao estadual e, se Deus quiser, nem ao municipal, depois de outubro. Posso, livremente, criticar ou aplaudir quem quer seja, sem receio de ser retaliado ou tornado persona non grata.

É isso que me autoriza a dar espaço ao secretário Meirelles, a quem não conheço pessoalmente mas louvo a coragem pela implementação da política cultural que rompeu com o compadrismo de sempre nessa área. A política pública dos editais é um marco na Bahia e espero que siga em frente, com verbas cada vez maiores.

Mas desqualificar uma visão política fazendo uso da calúnia, da difamação, é fim do mundo. Não aceito.

Posso entender, ainda que sentindo-me no direito de manifestar indignação, as motivações econômicas e políticas que movem as empresas de comunicação contra as gestões petistas. É a credibilidade desses órgãos de imprensa que sairá arranhada, como aliás mostram as pesquisas. Danem-se.

O que é duro de engulir é um jornalista aceitar a infâmia de valer-se da sua pena suja de calúnia para defender esses mesmos interesses, seja por conveniência financeira ou mera sabujice.

Isso aí não dá pra digerir nem com magnésia bisurada.

Foi essa, a seguir, a carta do Márcio, divulgada ontem no blog Plug Cultura.




"CARTA ABERTA AOS SENHORES SYLVIO SIMÕES, FLORISVALDO MATTOS E EDIVALDO BOAVENTURA


Prezados amigos,


Dirijo-me a vocês através desta carta aberta porque acredito que alguns valores podem ser preservados e um jornal como A TARDE tem história e patrimônio para reagir ao desmoronamento dos princípios éticos que devem reger a imprensa, serviço público e “quarto poder”.


Os poderes trazem responsabilidade. E o poder de um jornal é o de construir uma sociedade mais justa através da informação, da difusão de opiniões, do questionamento, da cobrança, da reflexão. Não acredito que a nota “Namoro pára o trânsito”, publicada no último sábado (2/08), na coluna Tempo Presente, seja veículo de nada disso.


Imagino que quem a escreveu deve ter se divertido com o fato. Mas a nota constrangeu uma família, desrespeitou uma mulher, difamou um homem sério. Esses valores têm sido negligenciados e banalizados nestes tempos que correm. Tempos em que nos queixamos da violência sem percebermos que violência é exatamente a destruição de valores.


Alguém que tem o privilégio de escrever em um jornal deve ser minimamente informado. Logo, devo deduzir que a referida nota tinha a intenção de atacar um homem público, casado, sugerindo que um carro oficial estava sendo usado para encontros amorosos.


Acontece que a “bela morena, estilo tropical”, a qual o colunista se refere, de forma preconceituosa, é minha mulher, com quem sou casado há doze anos, e a quem convidei para um almoço com os responsáveis por um momento importantíssimo e feliz, a implantação das Câmaras Temáticas para reabilitação do Centro Antigo.


Quis partilhar esse momento com minha companheira, a coreógrafa Cristina Castro, que também é uma artista e personalidade pública.


Despedia-me, depois do almoço, antes de entrar no carro para ir trabalhar, às duas horas da tarde, em frente ao Passeio Público, no local onde carros e táxis costumam parar para que pessoas entrem ou saiam daquele jardim, por uma fração de tempo mínima, necessária para que eu me despedisse, tocando o rosto de Cristina, e saísse rumo ao meu trabalho.


Qual o propósito da nota apressada e difamatória? Informar à população que o secretário de Cultura usa o carro oficial indevidamente? Seria importante, se fosse verdade. Mas como informação apressada, desqualifica o informante, desacredita a imprensa. E o que gerou? O constrangimento da minha família e amigos. O desrespeito a uma artista, ao colocá-la no anonimato de adjetivos com nuances de preconceito machista, e a uma mulher, por promover sua exposição como esposa traída por ela mesma. Além da difamação de alguém que tem princípios, como os senhores sabem, por me conhecerem há muito tempo – e é justamente por esse motivo que os escolhi como destinatários desta carta. E porque acredito que os meios de comunicação não podem deixar de ser um serviço de utilidade pública, um instrumento de construção, para se tornar um veículo de ataques pessoais.


Não tenho problemas em ver meu trabalho criticado. Acredito que as críticas servem para que se possa fazer melhor o que se faz.


Acredito firmemente que a imprensa tem um papel fundamental, na sociedade, como poder público de acompanhamento e controle do que é publico.


Estou sempre disposto a debater as políticas da Secretaria, seus programas e ações, aprender com as críticas e estar atento para as falhas e para os caminhos apontados pelas notícias e artigos. Mas, num mundo em que são tão poucas as coisas ainda confiáveis, não deixem que a imprensa, ou pelo menos A TARDE, abandone a luta por valores e pela não violência.


Atenciosamente,


Márcio Meirelles – cidadão"



segunda-feira, 4 de agosto de 2008

QUENIANOS, TREMEI!



Vida nova com as palmilhas produzidas pelo Hospital Sarah, de Salvador. Ô diliça! Pisadas confiantes, sem medo da dor, livre do cansaço produzido pelos dribles que o corpo dá quando algum de seus membros não está legal, manja isso?

Treinando duro nesse segundo semestre de 2008 para participar de todas as competições de 5km, 10 km e meia-maratona de 2009. Entre elas, a São Silvestre. Anotaí, cabeção: 2009 será o ano do crepúsculo queniano nas ruas de São Paulo. Autógrafos antecipados podem ser solicitados por e-mail.




A imprensa baiana precisa aprender a lidar com as coisas do esporte fazendo de conta que sabe pensar grande. É duro, eu sei, mas precisa tentar.

O Vitória está vivendo uma combinação de jogos difíceis com instabilidade causada pelos cartões amarelos e contusões. Além disso, precisa de um centroavante pra disputar posição com o Dinei e mandar Rodrigão para a puta-que-o-pariu. Ou para o Bahia, o que dá no mesmo.

Leandro Domingues está chegando pra ser titular, resta saber no lugar de quem, sem que isso não imponha a necessidade de redesenhar o esquema tático do time, o que não parece ser a especialidade do glorioso Wagner Mancini, haja vista a renitente escalação do cabeça-de-bagre Marco Aurélio como titular da lateral direita.

A despeito disso tudo, o momento é de baixa, sim, pelo qual passaram e vão passar até a 38ª rodada todos os times que disputam a primeira divisão do Brasileirão. Vamos devagar com a dor, povo baiano! Muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte e ao final teremos o que comemorar.




Assisti ontem o L'Oratorio d'Aurelia no TCA. Graças a Marcus Gusmão, paguei um reaus por isso, numa apresentação "popular" feita às 11h.

Amei a dica e a lembrança do amigo. Mas isso não salvou a impressão de ter visto mais um espetáculo europeu meia-boca, desses que chegam à essas latitudes precedidos dos ótimos textos produzidos por suas assessorias de imprensa.

A impressão que tive foi de que a mistura de ilusionismo cênico, teatro circense e acrobacia resultou num produto muito bem embalado mas mixuruca pra cacete.

Seguimos comprando missangas culturais e tecnológicas européias. Vamos combinar, são ótimos vendedores.




O Blog do Galinho está na bica para divulgar um concurso espetacular, mais uma intrigante iniciativa de nossa própria lavra que irá abalar a blogosfera brasileira.

Trata-se do "Cavalo Paraguaio do Ano". Por enquanto inscreveram-se dois concorrentes. Aceitamos sugestões.

1) Clube de Regatas Flamengo

2) Antonio Carlos Magalhães Neto